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12 edições para explorar · futuro, live e passado
202651st Festival 2026
Números, sede e manias da casa
51st State Festival se entende melhor quando a gente para de pensar na música de dança como uma linha reta. O nome já brinca com uma ideia cultural: esse “51º estado” imaginário onde Londres, Nova York, Chicago, Jamaica, Caribe, sound systems, UK garage, house americana e cultura soul se encontram sem precisar de passaporte. Não é um festival eletrônico genérico nem uma rave construída apenas em torno de drops. Seu coração está em algo mais profundo: memória de club, raízes negras da dance music, cultura de rádio, discos, vozes, MCs, festas de bairro e hinos que ainda fazem várias gerações levantarem as mãos ao mesmo tempo.
A primeira edição chegou em 2015 a Trent Park, no norte de Londres, com uma ideia muito clara: celebrar as raízes transatlânticas da house e suas ramificações. Chicago, Nova York, Londres e o Caribe não apareciam como referências decorativas, mas como coordenadas reais do som. Masters At Work, Todd Terry, DJ Sneak, Derrick Carter, David Morales, Tony Humphries, Dimitri From Paris, Norman Jay, Horse Meat Disco, Barbara Tucker, Grant Nelson e Congo Natty não eram simplesmente nomes de cartaz; eram capítulos vivos de uma história musical que começou muito antes de os festivais virarem mapas de Instagram.
Durante seus anos em Trent Park, o festival teve um encanto muito particular. Não era um festival rural distante nem uma festa escondida em um porão. Era Londres saindo para o verde por um dia. O público chegava ao norte da cidade com vontade de sol, dança, nostalgia e música adulta no melhor sentido da palavra. Não “adulta” como chata, mas como música com estrada: garage que alguém ouviu em pirate radio, house que tocou nos clubs dos anos noventa, soul que vem de mais longe, reggae e dancehall conectados a outras migrações, outros bairros e outras formas de celebrar.
O público sempre foi parte essencial da sua identidade. 51st State não parece um festival de adolescentes descobrindo a pista pela primeira vez. Tem uma mistura mais rica: ravers veteranos, amantes de soulful house, fãs de UK garage, gente que cresceu com Back to 95, DJs, selectors, públicos caribenhos, comunidades black British, curiosos mais jovens e pessoas que talvez não vão a vinte festivais por ano, mas sabem exatamente o que significa uma boa vocal house sob o sol. Essa convivência dá ao festival algo que muitos eventos maiores não conseguem fabricar: memória compartilhada.
A etapa recente sob o formato Riverside Sessions marca uma mudança importante. A marca já não se apoia do mesmo jeito na grande paisagem aberta de Trent Park, mas se desloca para Eutopia Warehouses, em Barking, um espaço urbano do East London com pátio ao ar livre e áreas internas. É uma mudança de escala e de atmosfera: menos “grande dia no parque”, mais club expandido e concentrado. Mas a ideia central continua reconhecível: pegar a essência de 51st State e colocá-la em movimento com house, garage, soul, disco, club classics, cultura de sound system e história dance de Londres.
A experiência real de ir não se trata apenas de ver o maior DJ do momento. É chegar à tarde, sentir o grave antes de encontrar seu palco, cruzar com gente que realmente escuta, ver gerações misturadas, entrar em uma área onde o garage está rolando, sair para um pátio com house mais quente, encontrar um MC levantando lembranças, dançar uma faixa que alguém ao seu lado conhece há vinte anos e outra que um público mais jovem acabou de descobrir. Em 51st State, o passado não pesa como museu; funciona como combustível.
O que diferencia 51st State Festival é sua forma de conectar cenas sem transformá-las em nostalgia rasa. House, garage, soul, disco, dub e dancehall aparecem como uma rede viva, não como caixas separadas. Sua mudança para Riverside Sessions coloca a marca em uma fase nova, mais urbana e íntima, mas não apaga sua história. 51st State continua sendo, acima de tudo, uma celebração de Londres como cidade de mistura: uma pista onde América, Reino Unido e Caribe ainda podem se encontrar na mesma linha de baixo.
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