Ranking
#235
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362.8 K

Quando
2027
Onde
Miami, Florida
País
Estados Unidos
Artistas em destaque
Lineup a caminho — publicamos assim que for confirmado.
17 edições para explorar · futuro, live e passado
202770000 Tons of Metal 2027
Números, sede e manias da casa
Às quatro da manhã, em quase qualquer cruzeiro normal, dormir seria a escolha razoável. No 70000TONS OF METAL, porém, pode haver uma banda de death metal destruindo um teatro, uma galera de power metal cantando em um palco interno, alguém com colete cheio de patches procurando café e um fã alemão explicando a um brasileiro por que o segundo set foi melhor que o primeiro. Essa é a lógica do festival: pegar uma ideia que já era excessiva — um cruzeiro pelo Caribe — e enchê-la com milhares de metalheads, dezenas de bandas e uma programação desenhada para acabar com qualquer relação saudável com descanso.
O nome oficial, 70000TONS OF METAL, não soa delicado. Soa pesado, mecânico, quase industrial, e combina perfeitamente. Desde a primeira edição, em 2011, o festival se apresentou como uma alternativa à experiência clássica de campo, lama e camping. Aqui não há barraca nem caminhada interminável até o estacionamento. Há cabines, corredores, elevadores, decks, restaurantes, bares, teatros, pool deck, cassino, hot tubs, mar aberto e uma sensação permanente de confinamento voluntário. Durante vários dias, você não pode simplesmente “ir embora para casa”. Está a bordo. E, se está a bordo, faz parte da comunidade.
A viagem inaugural saiu de Miami rumo a Cozumel a bordo do Majesty of the Seas, com mais de dois mil fãs e um cartaz que já mostrava ambição global: Amon Amarth, Blind Guardian, Dark Tranquillity, Death Angel, Destruction, Ensiferum, Epica, Exodus, Fear Factory, Finntroll, Gamma Ray, Iced Earth, Korpiklaani, Marduk, Moonspell, Obituary, Sabaton, Saxon, Sodom, Sonata Arctica, Testament, Týr e Voivod, entre muitos outros. Desde o início ficou claro que não era um festival para um único tipo de fã de metal. O navio podia juntar power metal, thrash, folk, death, black, doom, prog e heavy clássico sem pedir que ninguém escolhesse lado.
A grande diferença em relação a outros festivais é a intimidade forçada pelo navio. Em um open-air normal, os artistas aparecem, tocam e desaparecem para o backstage ou para o hotel. No 70000TONS, o vocalista que você viu à meia-noite pode estar tomando café da manhã perto de você no dia seguinte. O guitarrista pode aparecer em um corredor, em um meet-and-greet ou em alguma atividade absurda do cruzeiro. Essa convivência muda a aura. A distância entre fã e músico não desaparece completamente, mas fica mais humana, mais estranha, mais divertida. O festival não programa apenas shows: cria uma pequena cidade flutuante onde todos compartilham uma língua, mesmo vindo de 70 ou 80 países diferentes.
O formato de dois sets por banda também muda a forma de viver o lineup. Nem tudo depende de um único horário perfeito. Uma banda pode tocar de madrugada e depois voltar em um slot mais tranquilo; pode variar setlist, resgatar raridades, testar outro clima. Para o fã obsessivo, isso é ouro. Para o curioso, é uma segunda chance. Para o corpo, claro, é uma ameaça. Porque neste cruzeiro sempre há algo acontecendo: shows desde a manhã, sets noturnos, All-Star Jam, clínicas de artistas, atividades no deck, dia em porto e conversas que começam com “de onde você é?” e terminam meia hora depois comparando cenas metal de países inteiros.
A experiência real tem uma mistura quase absurda de peso e conforto. Você pode ver blast beats em um teatro elegante, folk metal ao lado da piscina, mosh pits perto de hot tubs, fãs com corpse paint em elevadores impecáveis, gente dormindo em espreguiçadeiras entre sets e cafés da manhã tranquilos com riffs de Black Sabbath ao fundo. Essa contradição é o coração do evento. O 70000TONS não tenta fazer com que o metal seja domesticado pelo cruzeiro; transforma o cruzeiro em território metal.
A edição 2026, a bordo do Freedom of the Seas rumo a Nassau, confirmou que o conceito segue vivo, mesmo quando o clima não coopera e o mar lembra que não está ali só para ser cenário. A edição 2027 já está anunciada para Puerto Plata, mantendo o festival em sua rota natural: mudar de destino, conservar a tripulação simbólica. 70000TONS OF METAL importa porque não leva apenas bandas para o mar; leva uma cultura inteira. Durante quatro dias, o navio deixa de ser um cruzeiro e vira uma nação metal temporária: barulhenta, internacional, cansada, feliz e orgulhosamente excessiva.
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