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6 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
ABODE on the Snow é a versão alpina de uma cultura que normalmente vive em clubs, terraços, parques e festivais de verão. A ideia parece simples, mas funciona porque o contexto muda tudo: house e tech house britânico em uma estação de esqui, com neve real, botas pesadas, óculos embaçados, terraços de après-ski, clubs de montanha, madrugadas geladas e um público que não viaja apenas para ouvir DJs, mas para viver uma semana inteira dentro de uma bolha de música, esporte, cansaço feliz, amizade e caos compartilhado.
O festival acontece em Val Thorens, nos Alpes franceses, um lugar que já tem identidade forte antes mesmo de a música começar. ABODE não tenta competir com a paisagem. Usa a paisagem. A montanha não é cenário; ela entra no ritmo. Durante o dia, tudo gira em torno das pistas, dos lifts, das camadas de roupa, das refeições rápidas entre descidas, dos skis, dos snowboards, das quedas e daquela confiança estranha que surge quando um grupo de clubbers decide que também pode ser gente de montanha por uma semana. À tarde, a energia muda. Começam as sessões de après-ski, surgem os drinks, as histórias da neve circulam, e a música começa a aquecer o lugar por dentro.
Comparado ao ABODE on the Rock, que trabalha com sol mediterrâneo, barcos e clubs de ilha, ABODE on the Snow tem outro tipo de excesso. Aqui, o hedonismo passa pelo frio, pela altitude, por roupas térmicas, pernas cansadas, neve nos pés e o contraste entre um dia esportivo e um set de house que parece intenso demais para aquele horário. Esse contraste é o charme. O som da ABODE — house, tech house, deep tech, basslines redondas, percussão seca, grooves diretos — muda quando chega depois de um dia nas pistas. O corpo responde de outra forma. Está cansado, desperto, desajeitado, eufórico. A música fica presa na memória.
A programação recente mantém claro o DNA da marca: DJs ligados ao circuito UK house e tech house, residentes, nomes recorrentes próximos da ABODE e artistas que funcionam em clubs, festivais e eventos de destino. Em 2025, apareceram ALISHA, Chicks Luv Us, Detlef, DXNBY, Ozzie Guven, Ellia Jaya, Ellie Cocks, Enzo Is Burning, EVIE UK, Gaskin, George Smeddles, GW Harrison, Joey Daniel, L.P. Rhythm, Latmun, Murphy’s Law, Obskür, Ryan Resso, Siân Owen, Will Taylor e outros. Em 2026, a linha continuou com GW Harrison, Robbie Doherty, Blondi, Evie, Jamie Aramayo, Joss Dean, Murphy’s Law, Ozzie Guven, Ryan Resso, Tommy Phillips e mais nomes.
A experiência real não parece um festival tradicional. Você não chega a um campo, escolhe entre três palcos e vai embora no fim da noite. Chega a uma estação, se instala, encontra o grupo, pega passes, entende onde cada um está hospedado, decide quem vai esquiar, quem vai fazer snowboard, quem promete descansar e quem claramente vai direto para o après. Cada dia tem duas vidas. A primeira pertence à montanha: neve, frio, vistas, lifts, pernas cansadas e pequenas vitórias pessoais. A segunda pertence à pista: clubs, graves, luzes, calor, drinks, amigos reaparecendo depois de horas e a sensação de que o festival ficou maior que o próprio cronograma.
É isso que torna ABODE on the Snow interessante. Ele não vende apenas música. Vende convivência prolongada. Uma semana muda a textura social de um festival. Os mesmos rostos aparecem nos lifts, no supermercado, no bar, do lado de fora de um club, em um terraço com sol, em um café da manhã tarde demais e depois no meio de um set. O evento deixa de parecer uma sequência de festas e vira uma pequena vida temporária na montanha. Para a ABODE, isso faz muito sentido: a marca sempre funcionou como uma espécie de família de pista, e em Val Thorens essa família se muda por alguns dias para a altitude.
As melhores lembranças talvez nem sempre sejam os headliners. Podem ser um set em terraço depois de uma manhã nas pistas, uma caminhada gelada após uma noite em club, um amigo caindo na neve antes do jantar, uma bassline atravessando a parede de um venue, ou o primeiro sol batendo nas montanhas enquanto o grupo ainda discute se dormir é uma opção realista. ABODE on the Snow funciona porque a música se cola ao lugar, ao clima, ao cansaço e às rotinas da viagem.
O status atual é ativo, embora a próxima edição ainda não esteja totalmente anunciada. O site oficial já indica que as datas de 2027 serão divulgadas em breve, mas ainda não há lineup nem detalhes públicos completos. Até lá, ABODE on the Snow permanece como um dos formatos mais reconhecíveis da marca: house music em alta altitude, onde club culture encontra esqui, après-ski, amizade, ar frio e a alegria estranha de dançar depois de um dia inteiro na montanha.
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