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✓ 5 edições documentadas — 66 artistas participaram

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Números, sede e manias da casa

Edições documentadas52017–2026
Anos de história10 anosdesde 2017
País habitualHungría

Sobre o festival

B my Lake sempre precisou de dois elementos para ser reconhecido: um lago e uma pista de dança. A paisagem mudou algumas vezes, mas essa relação permaneceu. Durante a tarde, a água suaviza a sensação de estar dentro de um festival eletrônico; depois do pôr do sol, luzes, telas e sistemas de som transformam gradualmente a margem em um clube ao ar livre. Em Velence, Budapeste fica perto o suficiente para facilitar a viagem, enquanto o lago cria a distância emocional necessária para deixar a cidade para trás. Não é apenas techno apresentado perto da água. Todo o ritmo diário é construído sobre a passagem entre praia, entardecer e madrugada.

A primeira edição aconteceu em 2013 no Club Aliga, em Balatonvilágos, na margem oriental do lago Balaton. VOLT Production e Deadcode Production perceberam um espaço entre os grandes festivais húngaros e as noites de clube menores. B my Lake se dedicaria a techno, tech-house, minimal e house, com atrações internacionais e uma identidade mais concentrada que a de Balaton Sound. A estreia venceu o prêmio de melhor festival europeu novo. O reconhecimento mostrou que um evento eletrônico especializado podia se tornar destino internacional sem transformar sua programação em uma seleção genérica de dance music destinada a agradar todos os públicos.

As mudanças de sede entraram cedo em sua história. O festival utilizou diferentes áreas do lago Balaton, desenvolveu uma etapa importante em Zamárdi, mudou-se para Keszthely em 2018 e retornou a Zamárdi em 2019. Cada local alterava transporte, camping, hospedagem e a distância entre palcos e água. A organização tentava preservar a escala boutique mesmo quando os cartazes ficavam mais ambiciosos. Grandes artistas podiam tocar em estruturas tecnicamente avançadas, mas o público ainda precisava conseguir passar do descanso à beira do lago para uma noite intensa sem atravessar uma cidade gigantesca de festival. A paisagem permanecia parte do formato.

Os artistas históricos explicam a reputação alcançada. Carl Cox, Richie Hawtin, Nina Kraviz, Solomun, Sven Väth, Ben Klock, Dixon, Maceo Plex, Tale of Us, Adam Beyer, Amelie Lens e Charlotte de Witte representam diferentes gerações da cultura de clube. B my Lake não construiu sua identidade ao redor de refrões pop acompanhados pelas explosões mais comerciais da EDM. Seu centro estava em transições prolongadas, sets que precisavam de tempo, apresentações ao vivo formadas por camadas e DJs capazes de conduzir uma pista durante horas. Techno e house serviam como base, enquanto minimal, trance, electro e formas melódicas ampliavam a experiência.

Depois de 2019, a trajetória independente foi interrompida. As edições de 2020 e 2021 não puderam acontecer. Quando a marca retornou em 2022, passou a funcionar dentro do Balaton Sound. B my Lake controlava palcos e áreas especializadas do festival maior em Zamárdi, preservando parte da estética underground e de sua seleção artística, mas sem possuir um recinto autônomo. A integração continuou até 2024. Isso não tornava os dois eventos iguais. Balaton Sound mantinha dimensões massivas e uma programação eletrônica ampla, enquanto B my Lake ocupava o espaço dedicado ao techno, à house e à cultura de clube dentro daquela estrutura.

O fim da etapa de Balaton Sound em Zamárdi abriu uma oportunidade inesperada. Em 2025, B my Lake voltou como festival independente e deixou o lago Balaton para ocupar o lago Velence. A mudança tinha riscos evidentes: a marca estava emocionalmente ligada a Balaton e havia passado vários anos sem uma edição autônoma. Velence, porém, oferecia acesso ferroviário desde Budapeste, camping ao lado da água e uma escala adequada para reconstruir a comunidade. O nome deixou de representar ligação com um lago específico e passou a expressar uma ideia: encontrar uma margem onde a música eletrônica pudesse novamente possuir seu próprio território.

A edição de 2026 consolidou esse retorno. Paul Kalkbrenner apresentou um live melódico preparado para um grande palco aberto; Amelie Lens, Chris Liebing, DJ Rush e Planetary Assault Systems mostraram diferentes intensidades do techno. Deborah De Luca, Daria Kolosova, Southstar e Øtta representaram linguagens mais recentes e rápidas. Sven Väth conectou a tarde à noite com um set de três horas durante o pôr do sol, enquanto Adam Beyer e Joseph Capriati compartilharam uma apresentação especial. Worakls, Kasablanca, Franky Wah e Rebūke levaram o programa em direção à house e às construções melódicas, acompanhados por numerosos artistas húngaros.

Durante o dia, SUP, yoga, desfiles e cinema ao ar livre criavam pausas em relação à pressão sonora. À noite, grandes paredes de LED e o desenho de iluminação transformavam a praia sem eliminar completamente a escuridão do lago. Essa convivência resume o interesse de B my Lake: produção internacional sem um recinto esmagador, artistas reconhecidos dentro de uma linha musical ainda coerente e intensidade física conectada à paisagem. A organização já anunciou o retorno em 2027, embora ainda não tenha divulgado datas. Depois de mudanças, cancelamentos e anos dentro de outro festival, B my Lake demonstrou que sua identidade não depende de um endereço, mas da combinação recorrente entre água, noite e techno.

Site oficial · bmylake.hu

Redes

Ficha

Mês habitual
julho
Duração típica
4 dias
Cidade habitual
Zamárdi
Cidades distintas
2
Sequência mais longa
2 anos seguidos
Primeira edição
2017

Linha do tempo

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