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2023Nova Era Beach Party 2023
Números, sede e manias da casa
Durante grande parte da sua história, a Beach Party by Nova Era transformou uma praia do norte de Portugal em algo muito mais próximo de um gigantesco festival eletrónico do que de um areal atlântico habitual. Na Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, a areia desaparecia sob dezenas de milhares de pessoas, grandes estruturas de palco, ecrãs, luzes e efeitos visuais enquanto alguns dos DJs mais conhecidos do mundo atuavam até de madrugada. O mar estava literalmente ao lado da pista de dança. Essa combinação entre praia, grande produção e música eletrónica acabou por definir um evento que nasceu como Nova Era Beach Party e que, ao longo dos anos, assumiu diferentes nomes comerciais patrocinados.
A primeira edição realizou-se em 2007. Nessa altura, o programa era mais aberto do que viria a tornar-se posteriormente. Bob Sinclar e Yves Larock partilhavam o cartaz com artistas portugueses e projetos ligados ao pop, rap e sonoridades brasileiras. O conceito ainda procurava a sua identidade definitiva. Depois de uma segunda edição excecionalmente realizada fora da localização habitual, a eletrónica começou a dominar claramente a partir de 2009. A festa de verão transformou-se progressivamente num grande encontro de DJs internacionais.
O formato também mudou. As primeiras edições podiam ocupar três dias, antes de um período em que o festival funcionou essencialmente como uma enorme maratona de uma só jornada. A música começava durante a tarde e prolongava-se até à manhã seguinte. Tiësto e Swedish House Mafia marcaram 2010; David Guetta, Sebastian Ingrosso e Alesso chegaram em 2011; Avicii e Martin Solveig em 2012. Esta sequência colocou a Praia do Aterro no circuito europeu dos grandes eventos de música eletrónica. Mais tarde, a fórmula de dois dias tornou-se a mais habitual.
A Rádio Nova Era sempre foi essencial para a identidade do festival. A Beach Party funcionava como a grande celebração de verão de uma estação profundamente ligada à dance music e ao público jovem do norte do país. DJs portugueses apoiados pela rádio atuavam ao lado de estrelas internacionais. Os patrocinadores alteraram temporariamente o nome comercial, originando fases como Galp Beach Party ou Brisa Beach Party, mas Nova Era, Matosinhos e Praia do Aterro continuaram a ser os elementos comuns. Essas designações fazem, por isso, parte da mesma história.
A praia permitia uma dimensão impossível num clube tradicional. Nas edições mais recentes, o público rondava vinte e cinco a trinta mil pessoas por dia. As portas abriam durante a tarde e a música prolongava-se até cerca das quatro da manhã, acompanhada por grandes sistemas de som, ecrãs, lasers, iluminação e pirotecnia. Foram surgindo áreas VIP, frontstage e opções de campismo, enquanto uma parte crescente dos visitantes chegava de fora da Área Metropolitana do Porto e do estrangeiro, sobretudo de Espanha. Ao chegar à 15.ª edição, o festival já tinha recebido mais de meio milhão de pessoas.
Musicalmente, a Beach Party acompanhou a própria transformação da eletrónica. House e electro dominaram muitas das primeiras fases modernas; mais tarde, big room, progressive house, trance, hardstyle, psytrance, techno, hardcore e bass music ganharam espaço. Martin Garrix, Armin van Buuren, Dimitri Vegas & Like Mike, Marshmello, Lost Frequencies e Vini Vici representam diferentes momentos dessa evolução. O objetivo nunca foi preservar uma única cena underground. A lógica era outra: grandes artistas, impacto imediato e sons capazes de funcionar perante uma multidão gigantesca sobre a areia.
A pandemia interrompeu a continuidade. As tentativas de realizar as edições previstas para 2020 e 2021 acabaram por esbarrar em restrições incompatíveis com um evento em pé e com pista de dança daquela dimensão. O regresso aconteceu em 2022 como Brisa Beach Party e, de forma excecional, ocupou três dias. Dimitri Vegas & Like Mike, Martin Garrix e Armin van Buuren lideraram cada jornada, acompanhados por Lost Frequencies, W&W, Sub Zero Project e D-Block & S-te-Fan. O retorno mostrou que o público continuava fortemente ligado ao festival.
Em 2023 regressou o formato de dois dias. Tiësto voltou a um evento cuja história já tinha ajudado a construir, enquanto Amelie Lens e Klangkuenstler representavam o techno, Meduza a house e Rebelion e Sound Rush o hardstyle. Em 2024, a 15.ª edição reuniu Timmy Trumpet, Oliver Heldens, Miss K8, Maddix, Hardwell, Will Sparks, Vertile, Radical Redemption e Virtual Riot. O cartaz mostrava como a ideia original de dance music se tinha alargado para incluir diversas vertentes da eletrónica contemporânea.
Depois dessa edição, o ritmo parou. Em 2025, a organização anunciou oficialmente uma pausa, explicando que a música e as tendências estavam a mudar e que precisava de tempo para reinventar a experiência. Não houve festival nesse ano e também não surgiu uma nova edição confirmada durante 2026. Por isso, Beach Party by Nova Era deve ser considerada atualmente um festival pausado e não um encontro anual garantido. O futuro continua em aberto, mas a imagem construída ao longo de quinze edições permanece clara: milhares de pessoas na areia de Leça da Palmeira, o Atlântico a poucos metros e um enorme palco eletrónico a transformar a praia numa pista de dança até de madrugada.
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