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✓ 12 edições documentadas — 90 artistas participaram

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Números, sede e manias da casa

Edições documentadas122013–2026
Anos de história14 anosdesde 2013
País habitualEspanha

Sobre o festival

Bilbao BBK Live parte de uma contradição geográfica que acabou se transformando em sua principal identidade. É um grande festival internacional associado a uma cidade, mas seu recinto não fica entre edifícios, avenidas ou pavilhões urbanos. Todo mês de julho, o público deixa Bilbao e sobe até Kobetamendi, uma área natural de onde ainda é possível observar bairros, luzes e o traçado da ria. A montanha não funciona apenas como terreno disponível para os palcos. Declives, árvores, umidade, mudanças de clima e a vista panorâmica alteram diretamente a experiência musical.

O projeto começou em 2006 por meio da colaboração entre Last Tour, Prefeitura de Bilbao e BBK. A primeira edição já apresentou uma escala ambiciosa, com Guns N’ Roses, Placebo, Ben Harper, The Cardigans, The Pretenders, Goldfrapp, Deftones e The Cult. A identidade inicial estava fortemente ligada ao rock internacional e às grandes bandas alternativas. Kobetamendi oferecia, entretanto, algo além do cartaz: uma imagem geográfica imediatamente reconhecível, com um festival instalado no alto e a cidade permanecendo visível durante toda a noite.

Nas edições seguintes, The Rolling Stones, Metallica, Radiohead, Depeche Mode, The Cure, Pearl Jam, R.E.M., Coldplay, Red Hot Chili Peppers, The Police, Green Day, Arctic Monkeys, Muse e The Killers passaram pelo festival. Sua evolução não pode, porém, ser contada somente por esses headliners. Eletrônica, hip hop, R&B, pop contemporâneo e cenas ibero-americanas ganharam espaço gradualmente. O que começou com forte predominância de guitarras tornou-se uma representação mais ampla da música atual e da cultura noturna.

Basoa simbolizou essa transformação. A eletrônica não foi colocada numa tenda secundária convencional, mas numa pista entre árvores, onde vegetação, iluminação e som formam uma experiência imersiva. Lasai apareceu como contraponto, trabalhando com velocidades menores, menos pressão sonora e uma relação contemplativa com a vista de Bilbao. Gorria ampliou posteriormente a presença de club music, ritmos globais e experimentação. Esses espaços não são simples complementos dos grandes palcos. Eles possuem identidade própria e podem se tornar o centro da experiência de muitos visitantes.

A programação começa normalmente à tarde e continua até o amanhecer. O público circula entre Nagusia, San Miguel, Basoa, Lasai e outros espaços, enfrentando conflitos inevitáveis de horário. Um grande nome internacional pode tocar ao mesmo tempo que um DJ, uma banda emergente ou um projeto basco. Cada pessoa cria, portanto, uma versão diferente do festival. Alguns organizam a noite ao redor dos headliners; outros usam os concertos principais apenas como referências e passam a maior parte do tempo no bosque ou em áreas menores.

O camping cria uma relação diferente com Kobetamendi. Quem permanece na montanha participa de uma comunidade temporária que começa antes dos shows e continua depois do encerramento oficial. Akelarre levou programação própria para esse espaço, reforçando seu caráter ritual e coletivo. Acampar reduz parte dos deslocamentos, mas exige preparação para chuva, lama, umidade e noites frias, mesmo em julho. Quem se hospeda na cidade depende de ônibus especiais e de uma operação capaz de movimentar dezenas de milhares de pessoas entre Bilbao e o monte.

A cidade continua presente mesmo quando os grandes shows acontecem em Kobetamendi. Bereziak oferece concertos gratuitos desde 2011; Hirian levou a música a diferentes bairros e Herrian a outros municípios de Bizkaia. Em 2026, Mendian acrescentou uma experiência cultural e familiar na própria montanha. Essas iniciativas procuram responder a uma questão importante: como um festival internacional pode produzir benefícios culturais para o território sem se transformar num evento isolado, vivido apenas por turistas e pessoas com ingresso? A programação descentralizada mantém parte da atividade aberta aos moradores.

A pandemia interrompeu o ritmo anual. A edição de 2020, prevista com Kendrick Lamar, The Killers e Bad Bunny, foi suspensa, e as restrições impediram também o retorno em 2021. Quando Bilbao BBK Live voltou em 2022, a retomada significou mais do que a reabertura de palcos. Kobetamendi recuperava um evento já integrado ao calendário e à imagem contemporânea de Bilbao. Nos anos seguintes, transporte coletivo, resíduos, acessibilidade, prevenção de violência e colaboração social passaram a ocupar uma posição mais estruturada.

Em 2025, Kylie Minogue, Pulp, Kaytranada, Raye, Bad Gyal, Nathy Peluso, Michael Kiwanuka, Amaia e Damiano David estiveram entre mais de cem artistas. No vigésimo aniversário, em 2026, o festival reuniu Calvin Harris, Robbie Williams, Dellafuente, David Byrne, FKA twigs, IDLES, Alabama Shakes, Interpol, Charlotte de Witte, Richie Hawtin e Lily Allen. As 112.500 presenças acumuladas durante os três dias estabeleceram um novo recorde e mostraram que o projeto ainda pode ampliar seu alcance.

Esse crescimento representa seu maior desafio. Bilbao BBK Live precisa manter a estrutura de um grande festival europeu sem perder aquilo que o liga especificamente ao lugar. Sua personalidade não depende somente do lineup, mas da subida a Kobetamendi, das árvores de Basoa, da calma de Lasai, das luzes de Bilbao abaixo do recinto e dos concertos gratuitos espalhados pela cidade. Quando esses elementos funcionam juntos, o festival não parece uma marca que poderia ser instalada em qualquer terreno. Torna-se uma experiência própria de Bilbao: uma montanha, uma noite úmida do norte e uma cidade que continua visível enquanto a música cria temporariamente outro mundo.

Site oficial · www.bilbaobbklive.com

Redes

Ficha

Mês habitual
julho
Duração típica
3 dias
Cidade habitual
Bilbao, Vizcaya
Sequência mais longa
7 anos seguidos
Primeira edição
2013

Linha do tempo

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