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✓ 2 edições documentadas — 58 artistas participaram

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2 edições para explorar · futuro, live e passado

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Números, sede e manias da casa

Edições documentadas22023–2024
Anos de história4 anosdesde 2023
País habitualEstados Unidos

Sobre o festival

Bésame Mucho parte de uma ideia cuja dimensão só fica evidente quando se observa a programação completa: várias décadas de música latina são concentradas em um único dia, permitindo que gerações diferentes reconheçam partes de sua própria história no mesmo espaço. Diante de um palco, a multidão canta uma música norteña ligada a encontros familiares; em outro ponto, volta o rock en español que marcou os anos 1980 e 1990. Mais adiante, grupos pop despertam coreografias, programas de televisão e refrões aprendidos na adolescência. O festival não gira em torno de uma única tendência atual. Sua personalidade vem da aproximação entre universos normalmente separados por gênero, idade e estratégia de mercado, fazendo com que pais, filhos e avós compartilhem o mesmo recinto sem precisar ter os mesmos favoritos.

A estreia aconteceu em Los Angeles em 2022, embora sua origem criativa esteja ligada ao Tropicália, festival anterior do sul da Califórnia voltado para rock latino, cumbia, soul e música alternativa. Bésame Mucho alterou a sede, o tamanho e o centro emocional da proposta, ocupando as áreas ao redor do Dodger Stadium e transformando a memória musical em seu principal argumento. A primeira edição reuniu 58 artistas e esgotou os ingressos quase imediatamente. Los Tigres del Norte, Caifanes, Café Tacvba, Juanes, Ramón Ayala, Sin Bandera, Julieta Venegas, Zoé, Fey, OV7, Banda El Recodo e Elvis Crespo representavam apenas uma parte de um programa pensado para mostrar como as comunidades latinas dos Estados Unidos ouviram música através de décadas, fronteiras e tradições familiares.

O formato é ao mesmo tempo a maior atração e a principal dificuldade. Bésame Mucho comprime em cerca de doze horas o que muitos festivais distribuiriam por um fim de semana inteiro, com quatro palcos funcionando quase sem intervalos e vários artistas apresentando sets mais curtos do que em uma turnê convencional. Rockero, Las Clásicas, ¿Te Gusta el Pop? e Beso sugerem identidades amplas, mas não funcionam como categorias rígidas. O público precisa escolher entre permanecer perto de um palco para preservar uma boa posição ou atravessar repetidamente o terreno. Passar do rock para o norteño, depois para o pop coreografado e a cumbia pode parecer uma viagem por diferentes coleções musicais de uma família, mas cada deslocamento também significa perder alguma apresentação paralela.

A segunda edição de Los Angeles, realizada em 2023, confirmou que a fórmula podia crescer sem perder seu caráter familiar. Maná e Los Bukis lideraram um cartaz com Gloria Trevi, Alejandro Fernández, Pepe Aguilar, Natalia Lafourcade, Café Tacvba, Caifanes, Los Ángeles Azules, Camila, Reik, Belinda e Paquita la del Barrio. Os ingressos acabaram em aproximadamente setenta minutos, e o público voltou a apresentar uma mistura pouco comum em eventos desse tamanho: adolescentes usando camisetas antigas, casais que conheciam todas as palavras das baladas, grupos vestidos para reviver o pop dos anos 1990 e famílias inteiras circulando juntas. Algumas apresentações pareciam shows tradicionais; outras viravam grandes coros nos quais a canção pertencia tanto à plateia quanto ao artista.

A expansão para Austin em 2024 levou essa identidade a um ambiente muito diferente. Circuit of the Americas oferecia uma área extensa e aberta fora do centro urbano, enquanto plataformas giratórias permitiam apresentar mais de oitenta artistas com poucas pausas. Los Tigres del Norte, Banda MS, Grupo Frontera, Caifanes, Café Tacvba, Molotov, Belanova, Alejandra Guzmán e Danna Paola fizeram parte da primeira edição texana. Em 2025, Peso Pluma e Carín León aproximaram o cartaz da música mexicana contemporânea, enquanto Ramón Ayala, Bronco, Hombres G, Magneto, Fey, Mónica Naranjo, Kabah e Los Tigres del Norte mantiveram sua profundidade histórica. A combinação mostrou que o festival podia trabalhar com nostalgia sem depender apenas de reencontros.

Participar exige planejamento e resistência. Não existe camping nem uma segunda jornada para recuperar o que foi perdido. Cada escolha afeta o restante do dia, desde o caminho entre palcos até o tempo consumido em filas de comida. Quando termina uma apresentação muito popular, milhares de pessoas podem se deslocar ao mesmo tempo, e as distâncias parecem aumentar conforme chega o cansaço. Em Los Angeles, uma tarde ensolarada de dezembro pode terminar com frio; em Austin, o terreno aberto exige atenção a transporte, água, calçados e pontos de encontro. A quantidade de artistas é o maior atrativo, mas também a contradição permanente: o público compra o ingresso justamente porque há dezenas de nomes importantes, mesmo sabendo que ninguém conseguirá assistir a todos por completo.

O cancelamento da edição de Los Angeles em 2024 interrompeu uma tradição que parecia estar se consolidando rapidamente. A organização citou circunstâncias fora de seu controle e, embora Austin tenha retornado em 2025, nenhuma edição foi anunciada para 2026. Essa incerteza não apaga o que Bésame Mucho construiu em seus primeiros anos. O festival criou um espaço onde músicas ligadas à migração, à família e à cultura popular em espanhol podiam conviver sem reduzir a identidade latina a um único som. Em seus melhores momentos, ele era mais do que uma lista impressionante de nomes famosos: era o encontro em que uma balada romântica, um clássico norteño, um hino de rock e um sucesso pop podiam fazer parte da mesma história de vida.

Site oficial · www.besamemuchofestival.com

Redes

Ficha

Mês habitual
dezembro
Duração típica
1 dias
Cidade habitual
Los Angeles, California
Sequência mais longa
2 anos seguidos
Primeira edição
2023

Linha do tempo

Um artista por ano, o de melhor ranking

Artistas recorrentes

Os que mais repetem nas edições desta franquia.

9
Camila

LATIN · ESTADOS UNIDOS

1 edições