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2027Eastern Electrics 2027
Números, sede e manias da casa
Antes de se transformar num festival de grandes parques, estruturas complexas e milhares de pessoas dançando durante o dia, Eastern Electrics pertencia a outra Londres: warehouses improvisados, arcos ferroviários, estacionamentos, endereços revelados tarde e uma cultura club disposta a criar seus próprios espaços antes que os grandes venues compreendessem aquela cena. Essa memória continua importante mesmo agora, quando mais de quatorze mil pessoas podem ocupar Burgess Park. A produção cresceu drasticamente, mas uma ideia permaneceu: uma grande festa depende tanto da identidade de cada área quanto do maior nome impresso no cartaz.
A marca nasceu em agosto de 2008 através de Rob Star, ligado ao mulletover, e Will Paterson, de FOUND e Hidden. As primeiras festas Eastern Electrics ocuparam Great Suffolk Street e outros espaços industriais de Londres, frequentemente reunindo vários promoters no mesmo prédio. Cada room podia possuir público, DJs e estética próprios. Star e Paterson já discutiam desde o início a possibilidade de chegar a um festival, mas preferiram desenvolver relações com artistas, labels, clubes e audiência antes de aumentar a escala. Quando o primeiro Eastern Electrics Festival oficial apareceu em 2012, o nome já representava quatro anos de cultura warehouse e não simplesmente uma nova marca criada para o verão.
A estreia aconteceu em 4 de agosto de 2012 no Area 12, em Greenwich Peninsula. Clapham Common havia sido planejado inicialmente, mas problemas com aquela sede obrigaram a organização a se mudar durante a preparação. Mesmo assim, o festival esgotou ingressos e recebeu aproximadamente dez mil pessoas. Jamie Jones, Kerri Chandler, Nina Kraviz, Maceo Plex, Joy Orbison, Bicep, MK, Tensnake e Andrew Weatherall mostravam uma programação centrada em house e techno, mas sem uma estética única. Os diferentes promoters controlavam áreas próprias, fazendo com que o modelo de várias salas de warehouse fosse simplesmente espalhado por um campo.
Em 2013, Eastern Electrics testou sua versão mais ambiciosa. Knebworth House recebeu três dias, camping e mais de cem artistas. Masters At Work, Richie Hawtin, Seth Troxler, Kerri Chandler, Chris Liebing, Ellen Allien, Maya Jane Coles, Theo Parrish e Claude VonStroke produziram um programa incomumente profundo. A experiência demonstrou que a marca podia funcionar como um verdadeiro camping weekender, mas esse tamanho não se tornou obrigatório. Em 2014 o festival voltou a uma única jornada e mudou para Hatfield House, onde permaneceu durante três edições, recuperando a concentração que sempre havia caracterizado suas festas londrinas.
Hatfield consolidou também seu lado lúdico. Eastern Electrics Main Stage coexistia com áreas de Skreamizm, Defected, Groove Armada, Viva Warriors, Black Butter e Do Not Sleep. Fairground rides, street food, festas escondidas, áreas na mata e o Star of EE Pub ajudavam a transformar o terreno numa espécie de playground para clubbers. Seth Troxler, The Martinez Brothers, Skream, Jamie Jones, Kerri Chandler, Hot Since 82, Eats Everything e Groove Armada passaram por essa fase. Mais importante que permanecer diante de um headliner era circular. Cada stage funcionava quase como um clube diferente montado temporariamente dentro da mesma propriedade.
Em 2017 o festival voltou para Londres através de Morden Park. Ali a diversidade ganhou sua expressão mais clara. O sábado continuou centrado em house e techno com Carl Cox, Âme, Jamie Jones, Patrick Topping ou MK. Em 2018 e 2019, porém, a programação de domingo mergulhou na bass culture britânica. David Rodigan, Kurupt FM, AJ Tracey, Ghetts, Roni Size, RAM Records e Matt Jam Lamont levaram reggae, grime, drum & bass e UK garage para dentro de Eastern Electrics. Não foi uma ruptura com a identidade anterior; mostrou simplesmente que a história rave de Londres sempre foi composta por vários ritmos que frequentemente compartilharam as mesmas pessoas e espaços.
Depois de 2019, o próprio festival decidiu tirar 2020 de folga antes mesmo que a pandemia modificasse todo o calendário. O retorno aconteceu em 2021 no Lee Valley Showground, que permaneceu como casa até 2024. Jamie Jones, Loco Dice, Maya Jane Coles, Seth Troxler, Green Velvet, The Martinez Brothers, Joris Voorn, Ben Klock, Marcel Dettmann, Kerri Chandler, Sven Väth e GOLFOS marcaram essa etapa. O local permitiu construir até cinco palcos e receber públicos maiores, mas preservando a antiga lógica de áreas independentes. Um visitante podia passar dez horas dentro de house; outro podia criar um percurso quase inteiramente de techno, disco ou seleções mais experimentais.
Depois de outra pausa em 2025, Eastern Electrics retornou em 9 de agosto de 2026 no Burgess Park, no sul de Londres. Aproximadamente 14.500 pessoas fizeram a nova sede ficar sold out. The Martinez Brothers, East End Dubs, Joseph Capriati b2b SOSA, Mau P b2b Dennis Cruz, Groove Armada, Danielle, Patrick Topping, Skream, Mella Dee, Truly Madly e Zed Bias ocuparam quatro palcos. Ainda não existe edição 2027 confirmada. O que sobreviveu depois de tantos venues é mais interessante que qualquer endereço específico: Eastern Electrics ainda olha para um grande parque como se fosse possível transformá-lo, durante algumas horas, num warehouse com várias salas, cada uma escondendo uma razão diferente para continuar dançando.
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