✓ 10 edições documentadas — 63 artistas participaram

Fan service

Números, sede e manias da casa

Edições documentadas102015–2026
Anos de história12 anosdesde 2015
País habitualAlemanha

Sobre o festival

Há algo que Berlim e o Lollapalooza têm em comum antes de tocar a primeira nota: ambos sabem perfeitamente que a sua reputação chega antes deles. Quando em 2015 foi anunciado que a primeira edição europeia do festival se realizaria em Berlim, a escolha não surpreendeu ninguém que conhecesse as duas marcas. A cidade mais musical do continente e um dos nomes de festival mais reconhecidos do mundo encontravam um ponto de encontro natural.

A história do Lollapalooza começa muito antes de Berlim. Perry Farrell, vocalista dos Jane's Addiction, fundou-o em 1991 como uma digressão de despedida da sua banda, percorrendo mais de vinte cidades nos Estados Unidos e no Canadá. Desde o início misturou géneros que os festivais da época raramente juntavam — rock alternativo, industrial, rap, performance art — e tornou-se o festival definitório de uma geração. Após uma pausa no final dos anos noventa, renasceu em 2005 como festival de sede fixa no Grant Park de Chicago, e a partir de 2011 começou a expandir-se internacionalmente: o Chile primeiro, depois o Brasil e a Argentina, e finalmente a Europa. Berlim foi escolhida como a primeira cidade do continente a acolher o franchise, e essa decisão diz algo sobre como o mundo percebe a capital alemã.

A primeira edição, a 12 e 13 de setembro de 2015, no Tempelhofer Feld — o antigo aeródromo da era nazi reconvertido pelos berlinenses em parque público, um dos espaços urbanos mais singulares do planeta — reuniu cerca de sessenta mil pessoas com um cartaz que misturava nomes anglófonos e artistas alemães: Macklemore & Ryan Lewis, Muse, The Libertines, Sam Smith, Tame Impala, Bastille, Martin Garrix e os muito berlinenses Seeed. Não foi uma estreia logisticamente perfeita — filas de uma hora para as casas de banho, problemas com os pagamentos sem dinheiro —, mas foi uma inauguração genuína, com a energia de algo que está a ser testado pela primeira vez e que já pressente que vai funcionar.

O que se seguiu foi uma série de mudanças de espaço que revela o carácter adaptável do franchise. Em 2016, com o Tempelhofer Feld convertido em abrigo para refugiados, o festival mudou-se para o Treptower Park. Em 2017, para o hipódromo de Hoppegarten, nos arredores da cidade. E desde 2018, o Olympiastadion e o Olympiapark tornaram-se a sua casa permanente — uma decisão que alterou sensivelmente a textura do festival. O estádio olímpico foi desenhado por Werner March para os Jogos de 1936, e o Maifeld que o rodeia — 112.000 metros quadrados de relvado que serviram de campo de paradas militares nazis — é hoje a área do palco principal do festival. Poucas canções de pop ou hip-hop ressoaram alguma vez num espaço com tanta carga histórica. Essa contradição não passa despercebida, e faz parte do que torna o Lollapalooza Berlim diferente de todas as outras edições do franchise no mundo.

O festival dura dois dias e no seu formato atual atrai entre oitenta e cem mil pessoas por dia. A programação alterna pop internacional de primeira linha, hip-hop, música electrónica, indie e rock, com uma presença assinalável de artistas alemães que noutros festivais internacionais raramente ocupam posições de cartaz. Essa visibilidade local é algo que a organização cultivou conscientemente: o Lollapalooza Berlim não importa simplesmente um modelo de Chicago e sobrepõe-no à cidade, mas tenta manter um diálogo genuíno com a cena local. Para além do palco principal no Maifeld, o festival inclui o Perry's Stage — dedicado à música electrónica e baptizado com o nome do fundador —, o Kidzapalooza para famílias com crianças pequenas, o Grüne Kiez com iniciativas de sustentabilidade, e o Fashionpalooza como espaço de moda. Em 2023 tornou-se o primeiro festival na Alemanha a obter a certificação internacional de gestão sustentável de eventos DIN ISO 20121, um reconhecimento com peso real no sector.

O Lollapalooza Berlim é um franchise, e seria desonesto ignorá-lo. Mas é também um festival que acumulou o seu próprio carácter, edição após edição, numa cidade com a capacidade única de tornar quase tudo mais interessante do que era antes de chegar lá. Berlim transforma os seus festivais, e o Lollapalooza não foi excepção.

Site oficial · www.lollapaloozade.com/en

Redes

Ficha

Mês habitual
setembro
Duração típica
2 dias
Cidade habitual
Berlin, Berlin
Sequência mais longa
5 anos seguidos
Primeira edição
2015

Linha do tempo

Um artista por ano, o de melhor ranking

Artistas recorrentes

Os que mais repetem nas edições desta franquia.

7
AURORA

INDIE · NORUEGA

1 edições
8
Ava Max

POP · ESTADOS UNIDOS

1 edições
10
W&W

TRANCE · PAÍSES BAIXOS

1 edições
12
AJR

POP · ESTADOS UNIDOS

1 edições