Ranking
#232
Ranking
#232
Seguidores
366.6 K
12 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Há festivais que já nascem com a ambição de ocupar um espaço gigantesco e outros que conquistam essa dimensão aos poucos, sem apagar a pequena aventura coletiva que lhes deu origem. O Paléo pertence ao segundo grupo. Muito antes dos grandes palcos, dos restaurantes, dos caminhos iluminados e das multidões, houve um encontro folk de três dias na antiga sala comunitária de Nyon. Era abril de 1976, cerca de 1.800 pessoas compareceram, o Malicorne era a principal atração e a resposta do público mostrou que aquela ideia já era grande demais para continuar fechada entre quatro paredes.
No verão seguinte, o festival mudou-se para Colovray, num terreno à beira do lago Léman. Entre música, barracas e bares, começou a surgir uma atmosfera comunitária marcada pelo folk e pelo espírito do período pós-Woodstock. O nome ainda manteve essa referência por alguns anos, mas a programação logo ultrapassou seus limites. Blues, salsa, ritmos africanos e brasileiros, chanson francófona e rock passaram a conviver no mesmo evento. Quando The Cure, Téléphone, B.B. King e Toots and the Maytals chegaram aos cartazes dos anos 1980, a palavra folk já não conseguia explicar tudo o que acontecia em Nyon.
O crescimento veio acompanhado de incerteza. O terreno de Colovray enfrentou pressões imobiliárias, aumentos de aluguel e disputas legais que ameaçaram repetidamente a permanência do festival. Enquanto o público aumentava, a organização precisava preparar cada edição sem saber por quanto tempo ainda poderia ficar ali. Em 1990, o Paléo encontrou uma nova casa na Plaine de l’Asse, ao norte de Nyon. O espaço permitiu ampliar os palcos e a capacidade, mas também exigiu a criação de uma paisagem completamente nova, com caminhos, pontos de encontro e estruturas capazes de dar identidade a uma grande planície aberta.
Hoje, entrar no Paléo é como chegar a uma cidade temporária que funciona durante seis dias e seis noites. A Grande Scène recebe as produções mais imponentes, mas boa parte da experiência acontece no caminho entre os outros espaços. Em poucos minutos, o público pode passar do rock ao rap francófono, de uma estrela pop a um artista suíço ainda pouco conhecido, de uma tradição musical distante a uma pista eletrônica que continua madrugada adentro. A questão raramente é encontrar algo interessante. O desafio é decidir o que deixar de ver e aceitar que um show descoberto por acaso pode desmontar todo o planejamento da noite.
A programação também se espalha para além da música. La Ruche reúne circo e artes de rua. Belleville concentra parte importante da cena eletrônica. O Village du Monde escolhe uma região diferente a cada ano e combina concertos, gastronomia, artesanato e cenografia. Quartier Libre, localizado entre o espaço principal e o camping, pode ser acessado gratuitamente e oferece parque de diversões, bares, barracas e atividades. Já o camping desenvolve seu próprio ritmo, com tendas, encontros improvisados, cafés da manhã tardios e conversas que continuam depois do último bis.
O público ajuda a explicar por que o Paléo conserva uma personalidade tão particular. Pessoas que frequentaram Colovray voltam hoje acompanhadas dos filhos ou netos. Ao lado delas estão adolescentes vivendo seu primeiro grande festival, fãs de rock, seguidores da chanson, público pop, amantes do rap e pessoas dispostas a dançar até o amanhecer. Essa mistura impede que o evento se torne apenas uma homenagem ao próprio passado. A memória permanece visível, mas é constantemente renovada por artistas e gerações que não viveram suas primeiras décadas.
A edição de 2026 acontece de 21 a 26 de julho e reúne nomes como Twenty One Pilots, Lorde, The Cure, Gorillaz, Orelsan, Katy Perry, Gims e Timmy Trumpet. O Village du Monde volta-se para a Escandinávia e os países nórdicos, trazendo suas músicas, tradições, paisagens e sabores para dentro do festival. O conjunto mostra bem o equilíbrio alcançado pelo Paléo: grandes atrações internacionais dividem a atenção com descobertas, artistas locais e manifestações culturais que dificilmente encontrariam tanto espaço em outro evento dessa dimensão.
A importância do Paléo, portanto, não está apenas nos números nem na longa lista de artistas famosos que já passaram por Nyon. Ela nasce da relação entre música, lugar e uma comunidade de milhares de voluntários que reconstrói o festival a cada verão. Os palcos, os gêneros e o tamanho mudaram muitas vezes, mas uma ideia continua reconhecível: aproximar diferentes gerações, tratar a curiosidade como parte essencial da experiência e transformar durante uma semana uma planície suíça num lugar com memória própria.
Linha do tempo
Um artista por ano, o de melhor ranking
Os que mais repetem nas edições desta franquia.
#1Estados Unidos
1 edições · 2026
#2España
1 edições · 2023
#3Estados Unidos
1 edições · 2023