✓ 2 edições documentadas — 95 artistas participaram
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The BPM Festival 2026

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2026

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2 edições para explorar · futuro, live e passado

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Números, sede e manias da casa

Edições documentadas22023–2026
Anos de história4 anosdesde 2023
País habitualCosta Rica

Sobre o festival

Durante muitos anos, ir ao The BPM Festival significava aceitar que dormir era quase uma escolha logística. O evento nunca foi construído em torno de um grande campo que abria à tarde e esvaziava depois do headliner. Uma cidade costeira inteira funcionava como estrutura. Uma festa podia começar perto do mar, seguir num club depois da meia-noite e terminar quando outro showcase já estava prestes a abrir. Esse movimento explica BPM melhor que qualquer lineup isolado. De Playa del Carmen a Portugal e depois Costa Rica, a verdadeira unidade vinha de labels, promoters, DJs e público conectando praias, clubs, rooftops e jungle stages até todos esses lugares parecerem partes temporárias de uma mesma pista.

Em 2008, a proposta era muito mais próxima de um encontro da própria indústria noturna. BPM significava Bartenders, Promoters, Musicians e nasceu em Playa del Carmen como reunião pós-Ano-Novo para profissionais que acabavam de atravessar o período mais intenso do calendário de nightlife. Craig Pettigrew e Phillip Pulitano encontraram na Riviera Maya uma combinação especialmente favorável: calor em janeiro, muitos bares e clubs próximos e distância suficiente do circuito habitual para manter artistas, promoters e público juntos por vários dias. O encontro de alguns milhares de pessoas cresceu até ocupar dez jornadas e dezenas de festas. Aquilo que começou quase como férias de recuperação entre profissionais acabou se transformando em uma das grandes peregrinações de inverno da música eletrônica underground.

Playa del Carmen foi fundamental porque BPM não escondia a cidade atrás de um recinto. A própria cidade era o recinto. Beach clubs recebiam festas durante o dia, espaços noturnos assumiam a programação depois do escurecer e showcases de labels e party brands davam personalidade a cada sessão. Richie Hawtin, Carl Cox, Jamie Jones, Luciano, Loco Dice, Solomun, Seth Troxler, Nicole Moudaber ou The Martinez Brothers podiam aparecer na mesma edição sem precisar ocupar posições numa pirâmide tradicional de headliners. Muitas vezes a escolha vinha do host, não do maior nome. O prazer estava em acompanhar uma cena: house diante do Caribe à tarde, techno num club poucas horas depois e outra pista quando já não fazia muito sentido decidir se a noite ainda pertencia ao dia anterior.

A fase mexicana terminou de maneira traumática em janeiro de 2017. Durante a última noite da décima edição ocorreu um ataque mortal no Blue Parrot, um dos clubs ligados à programação. Independentemente das discussões posteriores sobre causas e responsabilidades, a tragédia atingiu diretamente participantes e trabalhadores e alterou definitivamente a relação do festival com Playa del Carmen. BPM não voltou com seu flagship event. Ainda em 2017, a marca abriu uma etapa europeia em Portugal, centrada em Praia da Rocha e outros espaços do Algarve. O Caribe virou Atlântico e dez dias se reduziram a quatro, mas a mecânica continuou familiar: vários venues, showcases, longas sessões e house e techno como idioma comum. As edições portuguesas até 2019 provaram que a essência podia viajar sem copiar Mexico literalmente.

Costa Rica tornou-se o capítulo seguinte. Em janeiro de 2020, Tamarindo recebeu a primeira edição do país, distribuindo eventos entre espaços urbanos e ambientes cercados por vegetação tropical. Era uma escolha coerente para uma marca que sempre misturou viagem de férias e club culture. A pandemia interrompeu a continuidade. Não houve retorno em 2021 e o ambicioso festival de sete dias previsto para janeiro de 2022 precisou ser adiado após novas restrições sanitárias. Quando BPM recuperou o ritmo, Costa Rica começou a desenvolver seu próprio vocabulário: festas de praia, pop-ups durante o dia em Tamarindo e grandes pistas na selva. Já não era uma tentativa de reconstruir Playa del Carmen. Estradas, calor e vegetação criavam outra relação entre deslocamento e música.

A edição principal de janeiro de 2024 mostrou essa fórmula em um de seus momentos mais completos. Mais de cem artistas passaram por cinco dias de programação dividida entre três jungle stages, um novo venue à beira da praia ao pôr do sol e pop-ups em Tamarindo. Bedouin, Hernán Cattáneo, Paco Osuna, GORDO, Eli & Fur, Franky Rizardo, Mason Collective e Stacey Pullen estavam entre os nomes de um cartaz ainda organizado mais por comunidades, labels e longos sets do que por uma corrida até um único encerramento. Dois meses depois veio uma Easter Edition de três dias em Roca Mística. A frequência sugeria uma marca cada vez mais instalada na região, mas também tornava mais visíveis as tensões criadas por um grande evento internacional dentro de comunidades costeiras relativamente pequenas.

Essas tensões chegaram ao centro da edição 2025. BPM anunciou um novo festival site próximo a Playa Avellanas e cinco dias com Adriatique, Âme, ARTBAT, CamelPhat e outros grandes nomes. Moradores e organizações locais se posicionaram contra o evento citando segurança, ruído, infraestrutura e impacto ambiental. Poucos dias antes da abertura, grande parte da programação foi transferida novamente para Tamarindo. Algumas atividades começaram em 8 de janeiro, mas logo vieram fechamentos e cancelamentos ligados às autorizações. Em 10 de janeiro, a organização informou que todos os eventos restantes estavam cancelados. Não foi uma edição normal que perdeu uma noite; o próprio festival foi interrompido durante sua realização e deixou a maior parte do programa sem acontecer.

Desde então, a ausência de uma nova data se tornou parte central da história. The BPM Festival mantém site oficial e uma marca reconhecida internacionalmente, mas em 12 de agosto de 2026 não existe edição flagship confirmada para 2026 nem 2027. Seria cedo demais para classificá-lo como encerrado definitivamente, mas também seria incorreto tratá-lo como um festival ativo em funcionamento normal. Seu futuro é incerto. BPM já demonstrou capacidade incomum de mudar de país sem perder sua lógica: saiu de Playa del Carmen, construiu uma fase em Portugal e depois encontrou outra casa tropical em Costa Rica. Se houver retorno, talvez o anúncio realmente importante não seja quem estará nos decks. Para um festival que sempre transformou o destino em parte da pista, tudo começa novamente com a pergunta de onde essa pista poderá existir.

Site oficial · thebpmfestival.com

Redes

Ficha

Mês habitual
janeiro
Duração típica
5 dias
Cidade habitual
Guanacaste, Guanacaste
Primeira edição
2023

Linha do tempo

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Artistas recorrentes

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Guti

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