Ranking
#39
Ranking
#39
Seguidores
149.8 M
Presença digital
Perfis oficiais, streaming e descoberta.
O que um bom fã recita de cor (ou finje que sabe).
A história de Anitta não pode ser resumida à de uma cantora brasileira que conseguiu levar sua música para fora do país. Desde o início, sua carreira revela uma compreensão pouco comum de como se constrói uma artista: músicas, coreografias, imagem, estratégia, idiomas, colaborações e conhecimento do público funcionam como partes de um mesmo projeto. Essa visão transformou Larissa de Macedo Machado, uma jovem criada na Zona Norte do Rio de Janeiro, em uma performer capaz de sair do universo dos bailes de funk carioca e chegar a alguns dos palcos mais visíveis do pop internacional sem apagar o som que havia definido seus primeiros passos profissionais. Ao longo desse percurso, Anitta aprendeu a mudar de idioma, mercado e produção sem abandonar sua origem. Sua música pode se aproximar do reggaeton, do pop eletrônico, do R&B ou de ritmos caribenhos, mas o funk brasileiro reaparece constantemente como uma referência cultural e rítmica essencial para compreender sua identidade.
Criada em Honório Gurgel, bairro da Zona Norte carioca, começou a cantar ainda criança no coral de uma igreja católica e depois estudou dança, disciplina que se tornaria inseparável de sua forma de se apresentar. Durante a adolescência, conciliou essas inquietações artísticas com uma formação técnica em administração e chegou a considerar uma trajetória profissional bastante diferente da música. Paralelamente, começou a publicar vídeos cantando na internet. Essas gravações chamaram a atenção de DJ Batutinha, produtor ligado à Furacão 2000, uma das estruturas mais importantes para a circulação do funk carioca. Em 2010, começou a trabalhar profissionalmente nesse circuito com o nome Anitta, inspirado na protagonista da minissérie Presença de Anita. Suas primeiras gravações, entre elas “Eu Vou Ficar”, pertenciam diretamente ao universo do funk do Rio, mas rapidamente ficou evidente que sua ambição não se limitava a permanecer dentro de uma única cena.
A passagem para o grande mercado brasileiro ganhou velocidade com “Meiga e Abusada” e explodiu definitivamente com “Show das Poderosas”. A música transformou Anitta em uma figura nacional e estabeleceu vários elementos que continuariam acompanhando sua carreira: coreografias memoráveis, forte controle visual, uma postura frontal diante das câmeras e uma compreensão intuitiva de como transformar uma faixa em fenômeno cultural. O álbum Anitta ampliou aquela primeira identidade através da mistura de pop e funk, enquanto Ritmo Perfeito e Bang refinaram uma estética cada vez mais elaborada. “Bang” teve importância especial porque concentrou sua maneira de pensar o pop em uma única obra: capa, videoclipe, dança e personalidade comunicavam a mesma ideia. Nessa fase, ela deixou de ser apenas uma cantora surgida no funk para se tornar uma das principais figuras da indústria musical brasileira, sem eliminar de sua linguagem os códigos rítmicos que estavam presentes desde o começo.
A transformação seguinte foi muito mais ambiciosa. Em vez de esperar que o mercado internacional descobrisse seu trabalho, Anitta começou deliberadamente a construir uma carreira fora do Brasil. Aprofundou o espanhol, fortaleceu o inglês e buscou colaborações capazes de criar pontes entre diferentes mercados. “Sim ou Não”, com Maluma, abriu uma conexão mais direta com a música latina, enquanto “Paradinha” mostrou que ela podia lançar uma faixa diretamente em espanhol sem precisar assumir uma personalidade artística diferente. Depois vieram “Sua Cara”, com Major Lazer e Pabllo Vittar, “Downtown” com J Balvin, “Machika”, “Vai Malandra”, “Medicina” e “Terremoto”. Esses lançamentos revelaram uma estratégia incomum: em vez de deixar o Brasil para entrar no pop latino, Anitta ocupou os dois espaços ao mesmo tempo, alternando português e espanhol e construindo um repertório capaz de circular entre Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa.
Kisses transformou essa lógica em um álbum visual e multilíngue, enquanto Versions of Me colocou Anitta de maneira definitiva dentro de uma conversa global. Pop, reggaeton, trap, R&B e referências brasileiras conviviam em português, espanhol e inglês. “Girl from Rio” reinterpretou uma das imagens culturais mais associadas ao Brasil a partir de um ponto de vista contemporâneo, mas foi “Envolver” que alterou de maneira decisiva a escala de sua presença internacional. Cantada em espanhol e apoiada em uma produção de reggaeton contida e sensual, a faixa se espalhou de forma orgânica pelas plataformas digitais, enquanto sua coreografia se tornou inseparável do fenômeno. O significado desse alcance ultrapassou as posições em rankings: uma artista brasileira chegava a uma audiência verdadeiramente global sem depender do inglês e sem esconder que sua carreira havia sido construída em um mercado historicamente afastado do centro da indústria pop internacional.
Depois de anos ampliando sua linguagem para conquistar novos espaços, Anitta colocou novamente o funk carioca de maneira muito mais explícita no centro com Funk Generation. O movimento criou quase um retorno circular dentro da própria história. O gênero que havia iniciado sua carreira deixou de ser apenas uma referência inserida em produções internacionais e passou a ocupar o primeiro plano diante de uma audiência mundial. “Funk Rave”, “Mil Veces”, “Joga pra Lua” e outras faixas mostraram diferentes possibilidades do funk brasileiro, de sua energia mais direta às combinações com reggaeton, eletrônica e pop. Essa escolha também ajudou a desmontar uma leitura simplificada de sua trajetória. Anitta não abandonou o funk para se tornar internacional; passou anos construindo um espaço internacional suficientemente grande para poder levar o funk junto com ela.
No palco, essa lógica fica ainda mais clara. Anitta trabalha como uma performer para quem voz, movimento e atitude possuem funções quase equivalentes. A coreografia não aparece como simples decoração, mas como uma extensão da maneira pela qual a música se comunica. Sua linguagem corporal carrega elementos do funk carioca, enquanto a produção dos shows utiliza códigos do grande espetáculo pop, permitindo que uma apresentação passe de uma encenação altamente sofisticada para momentos que preservam a energia direta de um baile no Rio. Ela também desenvolveu uma relação particularmente consciente com a câmera e com as plataformas digitais, entendendo que a performance contemporânea não termina no palco físico: continua em videoclipes, trechos virais, desafios de dança e outras formas visuais capazes de prolongar a vida de uma música.
O que diferencia Anitta dentro do pop brasileiro e latino, portanto, não é apenas ter conquistado sucesso em vários idiomas. Sua trajetória representa outra maneira de pensar a internacionalização de um artista que nasceu fora dos centros tradicionais da indústria. Em vez de tentar desaparecer dentro do mercado anglófono, construiu uma identidade capaz de circular entre diferentes culturas, aprender seus códigos e, ao mesmo tempo, preservar os próprios. O português pode conviver com espanhol e inglês; o funk carioca pode encontrar reggaeton, pop ou eletrônica; e a artista surgida profissionalmente na Furacão 2000 pode ocupar um grande festival internacional sem transformar aquela origem em uma lembrança distante. Talvez essa seja a característica mais importante de sua carreira: a capacidade de transformar adaptação em identidade. Anitta não apenas atravessou fronteiras; fez do próprio ato de atravessá-las parte de seu som.
Gênero principal
FUNK
Subgêneros principais
Como a lista de um superfã — só que verificada, com fontes e links.

22–24 de abr. de 2022
Indio, California · Estados Unidos
Passado
15–17 de abr. de 2022
Indio, California · Estados Unidos
Passado
27 de set. – 06 de out. de 2019
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro · Brasil
PassadoO que conseguimos ligar ao arquivo de concertos. Falta uma data? Avise — também nos acontece.
Sem concertos ligados
Cada concerto e festival do ano, traçado no globo. Dá play e segue a rota paragem a paragem.
Billboard LatinIndicado
AMAVenceu
Billboard LatinIndicadoFotos do arquivo público.
Cobertura recente ligada ao artista.






Próximos por género e sinal social.
Sem relacionados
Quando houver sinal suficiente por género, aparecerão aqui.