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01 DE AGO DE 2027
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Números, sede e manias da casa
Em Calgary, perseguir o verão tem um sentido mais literal do que em muitas cidades de festivais. A estação quente de Alberta chega com intensidade, mas parece curta demais, criando uma janela limitada em que parques e espaços abertos ganham vida antes do frio voltar a dominar o calendário. Chasing Summer nasceu exatamente dessa urgência. Durante dois dias, os terrenos junto ao Max Bell Centre viram uma paisagem de palcos, graves, telas e milhares de pessoas dançando sob o céu aberto das pradarias. O skyline de Calgary continua visível ao fundo, reforçando que se trata de um festival urbano, construído não apenas em torno de música eletrônica, mas de uma relação muito específica da cidade com seu verão.
A estreia aconteceu em 2013, no auge da expansão do EDM na América do Norte. UnionElectronic e INK Promotions ocuparam Fort Calgary por dois dias e começaram com Tiësto e Above & Beyond no topo, acompanhados por Krewella, Wolfgang Gartner, Morgan Page, Tommy Trash, Mat Zo, Seven Lions, Andrew Rayel e Tritonal. O lineup já definia uma característica que continuaria importante. Progressive house e electro de main stage podiam conviver com trance, progressive melódico e bass music. Chasing Summer não nasceu como rave especializada. Era uma grande celebração outdoor das diferentes formas de eletrônica que naquele momento estavam deixando os clubes para ocupar festivais massivos.
Fort Calgary permaneceu como sede durante três verões e o crescimento foi rápido. Em 2015, com Tiësto, Kaskade, Dash Berlin, Afrojack e Carnage, a frequência do fim de semana já ultrapassava trinta mil pessoas. O espaço histórico havia chegado ao limite da expansão necessária. Em 2016, o festival mudou para Max Bell Centre Festival Grounds, local maior e conectado ao CTrain. Martin Garrix e Hardwell lideraram a primeira edição ali, enquanto The Chainsmokers, Zeds Dead, Marshmello, Galantis, Seven Lions, Jauz e uma Rezz ainda em ascensão mostravam como a própria eletrônica de festival estava mudando.
A mudança também permitiu organizar melhor os diferentes universos musicais. O main stage concentrava os maiores nomes e produções, enquanto outros palcos podiam trabalhar cenas específicas. Em 2016, uma área Anjunabeats reuniu Seven Lions, Andrew Bayer, Kyau & Albert, Gabriel & Dresden, Grum e Genix em torno de trance e progressive. Outro palco ligado à Deadbeats levou Jauz, Cookie Monsta, FuntCase e Rezz para bass e dubstep. Essa estrutura acabou se tornando uma vantagem importante. Quem chegava por um artista mainstream podia passar parte do dia mergulhado numa cena eletrônica muito mais específica sem precisar abandonar o festival.
Em 2019 o modelo já estava consolidado. The Chainsmokers, Steve Aoki, Above & Beyond, Alesso, W&W, KSHMR, Infected Mushroom, Matoma e Jonas Blue permitiam passar por electronic pop, trance, psytrance e bass dentro do mesmo fim de semana. Luzes, som e visuais ganhavam cada vez mais importância, mas o evento mantinha um ritmo urbano: música durante tarde e noite nos terrenos de Max Bell e afterparties oficiais em clubes de Calgary depois do encerramento. Chasing Summer nunca precisou se tornar um camping rave funcionando madrugada inteira. Seu vínculo com a cidade continuava fazendo parte da experiência.
COVID interrompeu a sequência em 2020. A edição regular de 2021 também foi inicialmente adiada, mas a flexibilização das restrições criou uma oportunidade inesperada. No fim de agosto surgiu Chasing Summer presents: Family Reunion, no Shaw Millennium Park. Zeds Dead, Kaskade, NGHTMRE, Adventure Club, DJ Diesel e Kill The Noise lideraram dois dias pensados explicitamente como reencontro depois de meses sem grandes eventos. Não era simplesmente o Chasing Summer convencional com nova data: tinha nome e venue próprios. Mesmo assim, mostrou que a comunidade formada ao redor do festival havia sobrevivido à pausa.
O formato principal voltou ao Max Bell Centre em 2022 com Armin van Buuren, Excision, Fisher, Loud Luxury, Cosmic Gate e Malaa. Em 2023, o aniversário de dez anos trouxe Tiësto novamente ao topo do lineup, fechando um círculo com a edição inaugural, desta vez ao lado de Zedd, Gryffin, Seven Lions e James Hype. Em 2024 vieram ILLENIUM, deadmau5 e DJ Snake. Em 2025, Kx5, Loud Luxury, Black Tiger Sex Machine, Alan Walker, Cosmic Gate, Gareth Emery e NGHTMRE mostraram mais uma vez a coexistência entre house, trance e bass.
Nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, essa amplitude ficou ainda mais clara. Armin van Buuren mantinha uma linhagem de trance que acompanha Chasing Summer desde os primeiros anos. FISHER representava house de escala global. Subtronics, Rezz, Kai Wachi, MERSIV e Level Up davam enorme peso ao dubstep e bass; Hybrid Minds levava drum & bass; Layton Giordani e Tiga traziam techno; Elderbrook oferecia uma vertente mais melódica. Main, Sunrise e River Stage permitiam que essas comunidades coexistissem sem que o festival precisasse adotar uma definição estreita de EDM.
Ainda não existem datas oficiais para 2027, mas Chasing Summer continua ativo depois da edição de 2026. Sua permanência em Calgary já ultrapassou as tendências específicas que dominaram o cenário eletrônico quando nasceu. Parte do público se lembra de Tiësto e Above & Beyond em Fort Calgary; outra geração pode pensar primeiro em Fisher, Subtronics ou Rezz. Essa troca constante de referências é uma das razões de sua longevidade. O som muda, a produção cresce e os subgêneros entram e saem de moda. O princípio permanece o mesmo: o verão de Alberta é curto demais para desperdiçar uma noite que ainda pode ser passada dançando ao ar livre.
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