Ranking
#724
COUNTRY - FOLK - LATIN
Ranking
#724
Seguidores
60.9 K
1 edições para explorar · futuro, live e passado
2023Colombia al Parque 2023
Números, sede e manias da casa
Bogotá é, em grande parte, uma cidade construída por pessoas que chegaram de outras regiões da Colômbia trazendo sotaques, receitas, memórias e músicas. Colombia al Parque transforma essa realidade cotidiana em festival. Durante um fim de semana no Parque de los Novios, gaitas do Caribe podem dar lugar a uma marimba do Pacífico, uma família tocando guabinas e torbellinos pode ser seguida por um produtor reconstruindo cumbia com eletrônica. O evento não tenta decidir qual dessas sonoridades representa melhor o país. Sua ideia mais interessante é justamente mostrar que nenhuma consegue fazer isso sozinha e que a identidade colombiana existe na convivência entre todas elas.
A primeira edição aconteceu em 2002, embora as raízes possam ser encontradas pelo menos em 1998. Bogotá já experimentava o Festival Distrital de Música Llanera e Bogotá Vallenata, enquanto Rock, Jazz, Hip Hop e Salsa al Parque haviam demonstrado a força da música gratuita no espaço público. Faltava um encontro que não fosse organizado ao redor de um único gênero, mas da própria diversidade musical colombiana. As primeiras edições de Colombia al Parque, por isso, passaram por La Media Torta, teatros, auditórios, parques e praças diferentes. Essa dispersão quase combinava com um festival que tentava reunir regiões separadas por enormes distâncias geográficas e culturais.
Com o tempo, Parque de los Novios se transformou na casa mais reconhecível. O espaço combina particularmente bem com o caráter familiar. A entrada é gratuita, não existe camping e a programação começa perto do meio-dia, permitindo que famílias cheguem com crianças, amigos e parentes e ocupem a grama sem a sensação de precisar correr constantemente. É possível assistir a um show, visitar a gastronomia, conhecer empreendimentos culturais, participar de uma atividade e voltar depois para a tarima principal. Mesmo quando dezenas de milhares de pessoas passam pelo parque, o ritmo continua mais próximo de uma grande celebração pública do que de uma máquina comercial isolada da cidade.
Ao longo de mais de duas décadas, o palco se tornou uma espécie de mapa musical. Totó La Momposina, Petrona Martínez, Jorge Velosa, Alfredo Gutiérrez, Aníbal Velásquez, Fruko y sus Tesos, Leonor González Mina e Orlando “El Cholo” Valderrama representam histórias completamente diferentes e, ainda assim, pertencem naturalmente ao festival. Ao redor deles surgiram grupos de marimba, conjuntos llaneros, carrangueros, duetos andinos, gaiteros, cantadoras e chirimías. Instrumentos normalmente separados por centenas de quilômetros podem aparecer na mesma tarde: tiple, requinto, harpa llanera, marimba de chonta, gaita, tambora, acordeão e percussões afro-colombianas passam a fazer parte do mesmo território.
Essa diversidade não é utilizada para congelar a tradição. Alguns dos momentos mais interessantes surgem justamente quando músicos alteram os materiais herdados. La Mojarra Eléctrica, Curupira, Frente Cumbiero, Systema Solar, Mitú e muitos projetos posteriores acrescentaram jazz, rock, improvisação, produção eletrônica e linguagens urbanas a músicas regionais. Uma cumbia pode aparecer em formato relativamente tradicional e algumas horas depois voltar reconstruída por sintetizadores. A marimba pode carregar um currulao ou entrar numa composição eletrônica. Colombia al Parque funciona melhor quando não obriga o público a decidir qual dessas versões é mais autêntica, mas mostra que tradições continuam vivas porque podem continuar mudando.
A presença internacional, fortalecida a partir de 2008, ampliou ainda mais a conversa. Susana Baca, Inti-Illimani, The Garifuna Collective, Los Mirlos, Lila Downs, Billo’s Caracas Boys, Pascuala Ilabaca e Bostich + Fussible colocaram a música colombiana dentro de uma geografia latino-americana maior. Essa abertura faz sentido porque muitos dos ritmos escutados no festival são produtos de séculos de circulação entre costas, montanhas, portos e diásporas. Colombia al Parque não trata cultura nacional como algo isolado pelas fronteiras. Ele mostra quanto Pacífico, Caribe e Andes colombianos compartilham caminhos com Peru, México, Venezuela, Chile, América Central e outras regiões.
Também existe um festival paralelo ao redor da música. Workshops e conversas aproximam artistas, pesquisadores e gestores; a dança transforma repertório em movimento; áreas de empreendedorismo mostram projetos culturais de Bogotá; gastronomia apresenta os territórios por outro sentido; literatura e atividades ambientais criam outras formas de circular pelo parque. O caráter educativo não precisa parecer escolar. Uma criança pode ouvir marimba pela primeira vez, assistir a um bullerengue e participar depois de uma roda de tambores. A transmissão de conhecimento acontece porque o patrimônio está dentro da festa e não separado dela em uma instituição formal.
Em 2026, o conceito Cantoras: Arrullo, fiesta y siembra colocou as mulheres no centro da narrativa. Martina Camargo levou tambora e tradição oral; Belkis Concepción transformou o encerramento de sábado numa celebração de merengue; Flor de Cerezo e Reburú apresentaram diferentes relações com gaitas e músicas do Pacífico; Marta Gómez fechou domingo de maneira mais íntima. Entre essas apresentações estiveram Orquesta de Lucho Bermúdez, Bambarabanda, Bejuco, Quilapayún e a cumbia eletrônica de Amantes del Futuro. Aproximadamente 25.000 pessoas participaram dos dois dias, cruzando memória latino-americana, tradição regional e experimentação contemporânea no mesmo gramado.
Mais de vinte anos depois da estreia, Colombia al Parque continua difícil de resumir com três gêneros porque seu verdadeiro tema não é um gênero. É um país. Sua importância está em permitir que uma metrópole profundamente formada por migrações internas escute as regiões que vivem dentro dela. A tradição não aparece como objeto a ser colocado atrás de vidro, mas como algo que pode ser cantado, dançado, transformado e transmitido. Quando famílias ocupam a grama do Parque de los Novios enquanto gaitas, marimbas, acordeões, vozes e sintetizadores dividem a mesma tarima, a diversidade colombiana deixa de ser uma ideia abstrata. Durante algumas horas, ela se torna algo que todos podem ouvir juntos.
Géneros
COUNTRY
FOLK
LATIN
Linha do tempo
Um artista por ano, o de melhor ranking
Os que mais repetem nas edições desta franquia.
#1Equador
1 edições · 2023
#2Colômbia
1 edições · 2023
#3Colômbia
1 edições · 2023
Se você curte Colombia al Parque, estes têm um line-up parecido.