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6 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Antes de se transformar numa enorme multidão diante do palco principal de Finsbury Park, Community era uma ideia muito mais espalhada pela cidade. Em novembro de 2015, Festival Republic e Live Nation distribuíram dezenas de artistas emergentes por Shoreditch e Hoxton, usando clubes conhecidos, porões, lojas e espaços pouco convencionais. O objetivo era descoberta: apresentar músicos antes que seus nomes se tornassem grandes o bastante para ocupar o topo dos cartazes de verão. Dois anos depois, aquela experiência reapareceu em formato quase oposto — um único dia, um grande parque e dezenas de milhares de pessoas. A escala mudou completamente, mas o interesse por artistas em crescimento permaneceu como ligação entre as duas fases.
Melvin Benn e Festival Republic descreviam o Community de 2015 como um evento urbano multi-venue dedicado a novos talentos. Vince Staples, Blonde, Petite Meller, Rat Boy, Clean Cut Kid, Hacktivist e muitos outros apareceram em onze espaços de East London. Hip hop, grime, indie, rock e electro-pop conviviam sem uma identidade dominante. Alguns shows utilizavam lugares estabelecidos como Village Underground e XOYO; outras atividades gratuitas entravam em lojas e pequenos negócios. Community ainda não era o festival indie-rock que se tornaria conhecido. Funcionava mais como uma grande vitrine espalhada por um bairro criativo, baseada na ideia de encontrar cedo aquilo que poderia dominar a música britânica logo depois.
Não houve uma edição equivalente em 2016. Quando Community voltou em 1º de julho de 2017, Festival Republic apresentou Finsbury Park como casa de um novo festival de um dia, enquanto reportagens da época faziam conexão explícita com o projeto de Shoreditch. Catfish and the Bottlemen liderava a programação, acompanhado por The Wombats, Slaves —hoje Soft Play—, Nothing But Thieves, The Hunna, Fickle Friends e Darlia. A música havia se concentrado muito mais em guitar bands britânicas, indie rock e artistas jovens crescendo no circuito. Community começava a significar menos uma comunidade geográfica e mais uma geração específica de fãs reunidos ao redor das mesmas bandas.
Finsbury Park permitia atingir grande escala sem transformar o evento num festival de camping. O público chegava de manhã, circulava entre palco principal e a área dedicada a novos nomes e voltava para Londres à noite. Não era preciso construir uma cidade temporária de tendas e infraestrutura durante vários dias. O preço relativamente acessível também era importante. Para um público jovem, Community oferecia a chance de ver muitas bandas grandes e emergentes sem assumir custos de camping, viagem e um pass de fim de semana. Mesmo com capacidade próxima de cinquenta mil pessoas, a experiência continuava claramente metropolitana.
A edição de 2018 se tornou especialmente interessante vista de hoje. Two Door Cinema Club liderou ao lado de The Vaccines e You Me At Six; Circa Waves, Sundara Karma, Marmozets e Rat Boy mantiveram as guitarras no main stage. No N4 Stage estavam Tom Grennan, Pale Waves, Sam Fender e Yungblud. Alguns anos depois, esse palco secundário parece uma fotografia feita segundos antes de várias carreiras mudarem de tamanho. Sam Fender ainda não comandava estádios e Yungblud não possuía a dimensão internacional posterior. Community mostrava que sua promessa de revelar artistas não era apenas slogan. Alguns dos nomes menores realmente estavam a caminho de se tornar muito maiores.
Em 2019, o formato atingiu sua versão mais reconhecível. The Kooks era headliner sobre Blossoms, Don Broco, The Hunna, Kate Nash, Gerry Cinnamon e Sea Girls. The Amazons, Vistas, The Academic e BLOXX mantinham o foco em descoberta. A própria divulgação definia Community como uma celebração de verão para uma geração de fãs de indie e guitar music. A proposta não precisava ser complicada. Um dia inteiro de refrões conhecidos, bandas em diferentes estágios da carreira e uma multidão jovem disposta a cantar era suficiente. Os grandes nomes traziam segurança; chegar cedo continuava importante porque um artista ainda pequeno podia subir várias linhas do cartaz no futuro próximo.
Covid interrompeu a sequência em 2020 e 2021. O retorno em 16 de julho de 2022 teve, por isso, uma força diferente. Cerca de 45.000 pessoas voltaram a Finsbury Park para Two Door Cinema Club, The Wombats, Nothing But Thieves, Circa Waves e Pale Waves. Alfie Templeman, Crawlers, Courting e Bears in Trees representavam a geração seguinte. Depois de dois anos em que shows foram continuamente adiados, cancelados ou limitados, a simplicidade de Community parecia suficiente para criar significado: um parque, duas cenas e milhares de pessoas novamente reunidas. Não havia necessidade de uma nova narrativa. A volta da música ao vivo em escala completa já era a narrativa.
Em 2023, porém, o formato mudou outra vez. Community saiu de Finsbury Park e chegou a Crystal Palace Park como Community Presents. Two Door Cinema Club e The Wombats dividiram a liderança, com The Vaccines, Sea Girls e Baby Queen completando um lineup de apenas cinco grandes atrações. Era muito mais próximo de um grande concerto outdoor curado pela marca do que do festival em dois palcos das edições anteriores. Festival Republic também registra oficialmente a data como Community Presents. Faz sentido manter o evento dentro da mesma continuidade, mas reconhecendo que se tratou de uma versão reduzida e especial, não simplesmente de mais uma edição normal.
Desde então não houve Community em 2024, 2025 ou 2026. O site oficial atualmente mostra apenas uma holding page para inscrição em newsletter, sem data, lineup ou local. Festival Republic não confirmou retorno e Ticketmaster mantém somente informações históricas. Isso ainda não permite declarar o festival oficialmente encerrado, mas a ausência já é longa demais para considerá-lo normalmente ativo. Community permanece com futuro incerto: começou como festival multi-venue de descoberta em Shoreditch, transformou-se numa grande celebração indie de Finsbury Park e apareceu pela última vez como um evento menor em Crystal Palace. Se voltar um dia com outra forma, não será exatamente uma ruptura. Mudar de forma sempre fez parte de sua identidade.
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