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2026
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2 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Iboga Summer Festival nasceu olhando para o Mediterrâneo e ouvindo com atenção especial os sons do leste europeu. Quando realizou sua primeira edição em Xàbia, em julho de 2013, reunir Balkan, Gypsy, Swing, Electro-Swing e Ska como centro de um festival espanhol era uma proposta pouco comum. Shantel, The Selecter, Mahala Rai Banda, Ska Cubano, New York Ska-Jazz Ensemble e Bohemian Betyars definiram aquela estreia, mas a organização já queria algo além de uma sequência de shows. Camping, oficinas de dança e artesanato, participação do público e a possibilidade de aproveitar as praias próximas deveriam fazer parte da mesma experiência. Cerca de seis mil pessoas compareceram. Para um evento novo construído em torno de estilos normalmente espalhados por pequenos circuitos especializados, foi um começo suficientemente forte para mostrar que existia uma comunidade pronta para se reunir.
Em 2014, Iboga mudou para Cullera e aumentou imediatamente a escala. Foram quatro dias de programação com Goran Bregović e sua Wedding and Funeral Orchestra, The Skatalites, Caravan Palace DJ Set, Ara Malikian e muitos outros artistas. A audiência cresceu para aproximadamente dezoito mil pessoas. No ano seguinte aconteceu a mudança mais importante: Tavernes de la Valldigna tornou-se a nova casa. A área próxima à praia oferecia mais espaço para camping, serviços e diferentes ambientes musicais, mantendo ao mesmo tempo uma relação direta com o Mediterrâneo. Asian Dub Foundation, Gentleman, Babylon Circus, The Beat e Fanfare Ciocărlia mostravam que o conceito também estava ficando mais amplo. Balkan e swing continuavam importantes, mas reggae, dub, punk e eletrônica entravam sem romper a identidade original.
Tavernes transformou o festival numa experiência de vários dias com ritmo próprio. O gramado natural, o camping e a proximidade da praia permitem que a rotina comece muito antes do primeiro grande show. Com o tempo surgiram Dub Corner, tenda de circo, áreas chill-out, mercado artesanal, atividades infantis, batucadas, circo, food trucks, glamping e caravaning. Oficinas abordaram dança, meditação, artesanato, astronomia, reciclagem, permacultura, sustentabilidade e outras práticas participativas. Elementos decorativos e a conhecida fonte do elefante se tornaram referências para quem retorna. Dessa convivência surgiu até a identidade dos “ibogueros”, público que não pensa no festival apenas como line-up, mas como alguns dias vivendo numa pequena comunidade formada ao redor de música, praia e atividades compartilhadas.
A programação cresceu sem abandonar essa lógica. Goran Bregović e Fanfare Ciocărlia reapareceram em diferentes momentos, enquanto Alpha Blondy, Dubioza Kolektiv, Femi Kuti, Orishas, Dub Inc, Talco, La Yegros, Nneka, Guts, Sara Hebe, Auxili, Manudigital e Barcelona Gipsy Balkan Orchestra ampliaram enormemente o mapa musical. Reggae, ska e folk são referências constantes, mas afrobeat, cumbia, hip hop, dub, gypsy punk, electro-swing e drum and bass também encontram espaço. Em 2018, a sexta edição chegou a cerca de quarenta e cinco mil presenças acumuladas ao longo de cinco dias. Mesmo nessa escala, pequenas bandas internacionais, fanfarras itinerantes e projetos difíceis de classificar continuaram ocupando áreas importantes. Iboga funciona melhor quando um artista conhecido leva o público até uma descoberta que provavelmente não encontraria num grande festival comercial espanhol.
A pandemia interrompeu a sequência depois de 2019. O retorno completo aconteceu em 2022, três anos depois, para a oitava edição. Aproximadamente trinta e cinco mil presenças foram registradas com Dub Inc, Goran Bregović, Talco, La Yegros, Nneka, Guts, Sara Hebe, Auxili, Benny Page, Manudigital e dezenas de outros nomes. O festival também voltou com camping reorganizado, glamping, caravaning, mais opções de transporte público e maior atenção à proteção das dunas e da praia. Em colaboração com CEAR, dezenas de refugiados de diferentes países foram convidados a participar. Moradores de Tavernes e profissionais de saúde também receberam iniciativas específicas de acesso. Essa dimensão social se encaixa numa marca que sempre apresentou diversidade não apenas como conceito de booking, mas como parte da convivência que deseja criar.
Os calendários atuais registram mais uma edição concluída em julho de 2026 em Tavernes de la Valldigna. Até 15 de setembro ainda não há data oficial para 2027, mas Iboga permanece ativo. Dentro do verão valenciano, sua posição é bastante particular. Não tenta competir diretamente com os gigantes de pop, indie ou EDM espalhados pela costa. Sua força está numa experiência diferente: metais balcânicos no fim da tarde, reggae algumas horas depois, uma fanfarra atravessando o recinto, oficinas durante o dia e o Mediterrâneo a poucos minutos do camping. Desde a estreia em Xàbia, Iboga mudou de cidade, aumentou muitas vezes de tamanho e incorporou novas cenas, mas preservou a mesma ideia central. Colocar tradições musicais muito distantes umas das outras no mesmo espaço e confiar que, quando as pessoas começam a dançar, as diferenças de origem passam a ser parte da diversão em vez de um obstáculo.
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