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COUNTRY - FOLK - ROCK
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2027
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4 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Pendleton não se apresenta como destino de festival de costa. Chega-se pela Interstate 84, a cerca de três horas de Portland, e o Este do Oregon já avisa calor, pó e uma cidade de rodeio que não finge ser marca costeira. Happy Canyon Arena, no 1601 da Westgate Street, é arena histórica antes de ser palco: bancadas, céu aberto, um chão que conhece gado melhor do que plantas de luz. Jackalope Jamboree instala-se ali sem maquilhar o sítio. O campismo de tenda, junto ao recinto, torna o clima parte da estadia. O nome evoca o jackalope, criatura do folclore do Oeste — lebre e cornos — e o festival leva a sério essa mistura de ruralidade e estranheza sonora.
O jamboree nasceu em 2019 por impulso de Chad Colwell, com Rian Beach e Daren Lequerica. Sem modelo nacional importado. Três cofundadores que conheciam o território quiseram um fim de semana de country, rock e folk longe das capitais do género. Hodgen Distributing apresentou o evento desde o início; Kind Leaf acompanhou a estreia. Colwell é o organizador nomeado para o público; a história de fundação fica a de um trio local. O patrocínio de proximidade já diz o tom: um encontro do Oregon, não uma franquia deslocada.
A primeira edição cabia num dia e dois palcos. O cartaz de abertura já desenhava o mapa que o festival defenderia. American Aquarium e Shane Smith and The Saints trouxeram country rock de estrada e red dirt; Lilly Hiatt e Carson McHone seguravam a linha singer-songwriter e indie country; Pete Krebs, Tylor and The Train Robbers, Jaime Wyatt e James Dean Kindle and The Eastern Oregon Playboys ancoravam a noite no Noroeste e em bandas que soam naturais numa sala de vila tanto como em digressão regional. Não era cartaz de estádio. Era um argumento de cena: americana, country, red dirt e indie numa arena de rodeio.
O ano de 2020 caiu com a pandemia. O regresso de 2021 alongou o formato a dois dias, com cerca de mil pessoas por jornada, e o calor do Este do Oregon tornou-se personagem. Essa reabertura não fingiu continuidade intacta. Parecia densa, suada, ainda à escala humana — um público que enche uma arena histórica sem transformar o fim de semana em máquina urbana. Sobreviver ao vazio mudou o evento: depois do cancelamento, o jamboree de um só dia já não era toda a história.
Depois o formato esticou-se a três jornadas, cinco palcos e mais de trinta bandas. A mudança não foi só um número maior. Jackalope Jamboree passou também a ocupar o centro de Pendleton desde quinta-feira, de modo que o festival deixou de viver apenas na Westgate Street e passou a dialogar com bares e ruas de uma cidade que, no resto do ano, vive de outra economia. Reckless Kelly foi cabeça de cartaz numa noite de 2022. Uma banda texana de red dirt, com décadas de estrada, bastou para o dizer: o jamboree media-se já com artistas de digressão, não só com o circuito local.
Country, rock e folk continuam as três etiquetas úteis, mas a programação mora nas dobras — americana, red dirt, indie e canção de autor na mesma tarde poeirenta. Um dia pode passar do pedal steel ao rock de estrada e a uma hora de folk mais calmo. Essa amplitude explica por que a estreia pôde juntar American Aquarium a Lilly Hiatt sem pedir licença aos formatos de rádio. Não se percorre a I-84 por um só subgénero. Vem-se por um cruzamento que o Este do Oregon raramente concentra num só sítio.
O corpo percebe o recinto. Happy Canyon Arena não é um prado à sombra. São bancadas, sol, pó de rodeio. O campismo de tenda coloca boa parte do público a minutos dos palcos, por isso o dia organiza-se em torno de água, descanso e o set seguinte, não de hotéis distantes. Pendleton, na I-84, funciona como escala desde Portland ou do interior; a cidade não se dissolve no festival, mas nesses dias a arena e o downtown tornam-se o mesmo mapa. Crianças até doze anos entram de graça com um adulto, e essa regra muda o tom das tardes: famílias ocupam um sítio que à noite continua a soar a country de estrada.
Cinco palcos querem dizer sobreposições e escolhas. Não se vê tudo. Escolhe-se a arena ou um palco menor, ou passa-se a quinta no centro e volta-se quando o cartaz adensa. Essa fricção pertence a um festival que passou de um dia a um fim de semana longo sem deixar a mesma cidade nem o mesmo carácter rural. O calor obriga a reorganizar; o pó empurra para a sombra; o campismo põe ao lado vizinhos que vieram pela mesma razão.
Jackalope Jamboree ocupa um lugar preciso no mapa do Noroeste. Não é o encontro costeiro de Portland nem uma feira de condado disfarçada de concerto. É um jamboree de arena de rodeio em Pendleton, nascido de três cofundadores locais, apresentado por um distribuidor do Oregon e crescido de dois palcos até um fim de semana que também pisa o downtown. Entre country, rock e folk — e entre o calor do Este e as bancadas de Happy Canyon — o evento sustenta uma ideia simples: a música de estrada pode ter casa numa cidade de rodeio sem pedir emprestada a identidade de outra região.
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