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COUNTRY - FOLK - ROCK
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13 DE FEV DE 2027
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3 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Howlin’ Country escolheu um lugar que não corresponde à imagem automática de um grande festival country australiano. Em Foreshore Park, Newcastle, o cenário não era uma fazenda nem um showground cercado de estradas rurais, mas gramado aberto diante do porto, próximo das praias e integrado ao centro urbano. Para Moe Matthew, fundador e promotor local, essa localização era parte da ideia. Newcastle tem fortes conexões com as regiões agrícolas de New South Wales, mas desenvolveu identidade própria como cidade portuária, industrial e musical. Howlin’ nasceu para colocar essas duas dimensões na mesma conversa. Botas e chapéus podiam ocupar a orla sem que o lugar precisasse fingir ser interior. O público chegava de light rail, ônibus, ferry, bicicleta ou caminhando; não existia camping e, depois do último show, a cidade continuava funcionando do outro lado dos portões. Era country com cheiro de mar, uma combinação simples que imediatamente diferenciava o festival.
A estreia em 15 de fevereiro de 2025 demonstrou que a ambição não era pequena. Tyler Childers encabeçou uma programação que inicialmente incluía Brad Cox, Sons of the East, Taylor Moss e Austin Mackay. A segunda leva trouxe S.G. Goodman, Willi Carlisle, Sara Berki e artistas locais, ampliando tanto o evento que o conceito originalmente anunciado em torno de um palco se transformou em festival de dois espaços. Musicalmente, essa expansão ajudou. Childers carregava country e tradições Appalachian para uma escala enorme; Goodman e Carlisle abriam espaço para Americana, folk e narrativas mais cruas; os australianos mostravam que o gênero no país havia deixado há muito tempo de ser apenas uma reprodução de Nashville. A organização também procurava talentos diretamente na região de Newcastle. O resultado comercial foi imediato: 12.255 ingressos vendidos no primeiro ano, comprovando uma demanda que talvez nem os responsáveis esperassem encontrar com tanta rapidez.
A segunda edição, em 14 de fevereiro de 2026, colocou Lainey Wilson no topo do cartaz. Era sua única apresentação em festival australiano naquela passagem e uma contratação que mostrava quanto Howlin’ havia avançado em apenas doze meses. Mesmo assim, Morgan Evans tinha a ligação mais profunda com o lugar. Nascido em Newcastle, ele voltou à cidade para um show local depois de alguns anos e apresentou ao vivo pela primeira vez “Steel Town”, escrita sobre sua própria origem. A chuva começou justamente naquele trecho da apresentação, enquanto bandeiras dos Newcastle Knights surgiam diante do palco. Flatland Cavalry e Kaitlin Butts traziam outras vertentes do country americano; Kashus Culpepper aproximava o gênero do Southern soul; Adam Newling misturava country e alt-rock australiano; Tyla Rodrigues representava uma geração nova. Howlin’ mostrava, assim, que seu interesse estava mais na amplitude atual da cultura country do que numa definição purista.
The Bale House ganhou mais peso em 2026 e se tornou um segundo palco completo, com músicos regionais, bandas e DJs, enquanto Main Stage recebia os nomes principais. O festival acrescentou área infantil, ativações gastronômicas, food trucks e opções premium. Como a data coincidiu com o Dia dos Namorados, houve até venda de rosas, pulseiras e speed dating, detalhes leves que reforçavam o caráter social da jornada. A política all ages continuou central, permitindo que adolescentes e crianças participassem junto aos adultos. A logística urbana completava essa abertura: light rail em intervalos menores, ônibus, ferries até tarde e estacionamento para bicicletas facilitavam entrada e saída. Isso tornava Howlin’ muito diferente dos eventos em que boa parte da experiência depende de viajar, montar barraca e permanecer isolado por vários dias. Em Newcastle, o festival cabia dentro de uma única jornada de verão sem perder escala.
A continuidade para 2027 veio acompanhada de uma mudança maior. Depois da segunda edição, Moe Matthew afirmou que Howlin’ voltaria. A plataforma oficial hoje aparece como Howlin’ Presents e promove, para 13 de fevereiro de 2027 no Newcastle Foreshore, Howlin’ Rock N Rodeo. O próximo encontro terá rodeio com participação de PBR Australia, incluindo bull riding, bronc riding e barrel racing, além de dois palcos para country, outlaw e honky-tonk rock. Haverá line dancing, mechanical bull, uma Silent Saloon com fones e a área Lil’ Howlers, e o evento será dividido entre uma sessão diurna de perfil familiar e outra noturna. A organização não publicou uma frase dizendo formalmente que Howlin’ Country foi renomeado, mas a mesma marca, local, período anual e equipe indicam uma evolução direta, não o surgimento de um concorrente independente.
Por isso, Howlin’ Country parece hoje menos um festival encerrado do que a primeira versão de uma ideia que cresceu rápido demais para permanecer intacta. Em dois anos, saiu de um debut que precisou adicionar palco para uma edição capaz de receber Lainey Wilson; agora pretende acrescentar uma arena inteira de rodeio. O risco é que o novo espetáculo dilua aquela simplicidade inicial, mas existe também uma lógica evidente: transformar em atividade real a cultura western que já estava presente nas roupas, no público e na música. O elemento que dificilmente mudará é Newcastle. Howlin’ começou provando que country podia ocupar a orla sem perder autenticidade; sua próxima fase terá de descobrir se touros, broncos e honky-tonk conseguem fazer o mesmo sem esconder o porto que deu ao festival sua primeira personalidade.
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