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2027Maifeld Derby 2027
Números, sede e manias da casa
Maifeld Derby foi um fim de semana de indie e pop em Mannheim, no terreno do clube hípico por trás do recinto de feiras do Maimarkt. Mannheim é Cidade da Música da UNESCO e o sítio fica a meio caminho de Heidelberg, na região do Reno e do Neckar. O formato que ficou foi de três dias, com umas cinco mil pessoas por dia. Havia vários palcos, comida, sítios para sentar ou deitar, e luz e água já no recinto, um luxo que muitos festivais de campo não têm. Montou-o Timo Kumpf. A associação não tinha fins lucrativos, mas o risco económico ficava nos ombros dele.
O dia vivia-se a pé, sem um descampado de vários quilómetros. De um palco ao bar ou a uma manta na relva o passeio era curto. O público voltava: fiéis e famílias, não uma massa de um só concerto. O cartaz misturava nomes já feitos com grupos novos e com bandas da região. Em 2017 o prémio HELGA, o mais citado dos prémios de festivais alemães, deu-lhe a programação mais fina. Em 2019 entrou no grupo da frente dos European Festival Awards e em 2023 ganhou a categoria de melhor festival pequeno. A promessa da casa era música cuidada, comida, uma produção mais sustentável e um trato próximo. Chegava-se de comboio a Mannheim e seguia-se até às traseiras do Maimarkt. Não havia um segundo recinto do outro lado da cidade. De noite a relva arrefecia e saía um casaco. De dia, em junho, o sol pedia água e um boné. Mantas e bancos evitavam passar todas as horas de pé. A lotação diária, umas cinco mil pessoas, deixava ver o palco sem uma maré. A associação cobria comida e produção; a entrada era paga, não um dia aberto. Quem saía um momento à orla continuava a ouvir o palco ao lado.
O primeiro ano foi 2011. Kumpf, que vinha da banda Get Well Soon, encabeçou ele próprio essa estreia. O salto chegou em 2014, quando os The National fecharam uma noite e Hozier fez a estreia na Alemanha. A partir daí o fim de semana ficou como um filtro: passaram James Blake, Bonobo, Phoenix e The Streets, sempre com uma lotação que não era de estádio. O cartaz de cada primavera lia-se como uma lista de sala, não como um cartaz de estádio. Quem voltava sabia que a relva, as mantas e os quatro palcos da fase final cabiam no mesmo passeio.
Houve uma pausa. Na pandemia o festival recebeu pela primeira vez dinheiro do Estado e Kumpf reabriu-o em 2021. Os verões de 2021 a 2023 foram rápidos e cheios, e ele continuou. Ainda assim disse à revista IQ que nunca tinham ganho dinheiro a sério e que também não tinham perdido de mais, até o tempo, os custos e a falta de apoio municipal apertarem. Pediu à cidade de Mannheim duzentos mil euros para suster 2025 e uma quantia maior se o formato grande continuasse. A cidade pôs cem mil para aquele fim de semana. Para ele, seguir com essa soma era outra temporada pendurada de mais subsídios. Recusou o caminho e anunciou o fecho do formato de três dias.
O fim de semana de 30 de maio a 1 de junho de 2025 foi esse fecho no Maimarkt. Passaram uns sessenta grupos em quatro palcos. Até domingo ao meio-dia o organizador contou umas quinze mil visitas. Na sexta à tarde abriu a banda local Lauch Creme Gruppe. No cartaz grande estavam Franz Ferdinand, Zaho de Sagazan e Kraftklub. Kid Simius fez um concerto com auscultadores. Houve uma pausa curta de chuva no sábado e, segundo a SWR, o ambiente manteve-se calmo. Muita gente era da casa. A despedida sentia-se, mas o dia continuou a ser um festival de relva, não um comício.
A 23 de maio de 2026 houve um dia diferente, não uma reedição do parque. Na Halle 02 de Heidelberg, sob o nome Shetlandponyhobbyedition, esgotaram-se mil e quinhentos bilhetes. Três palcos: a sala grande, um clube mais pequeno e um palco ao ar livre, com redes. Kathi Deakin abriu fora do edifício. Soaram, entre outros, Marlo Grosshardt e Way Dynamic. Kumpf fez um balanço positivo e disse que repetir aquele dia não estava assegurado, e que o festival grande de Mannheim não continuava. O Maifeld Derby lembra-se pelo fim de semana do clube hípico: três dias, umas cinco mil pessoas, um cartaz de sala e um fecho decidido quando a cidade não cobriu o risco. A tarde em Heidelberg ficou num dia esgotado.
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