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02–05 DE SET DE 2027
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2026End of the Road Festival 2026
Números, sede e manias da casa
End of the Road costuma recompensar quem abandona o trajeto mais óbvio. Um caminho entre árvores pode levar a um palco pequeno, um piano escondido ou simplesmente a um trecho de Larmer Tree Gardens onde os pavões parecem menos impressionados com o festival do que os visitantes. Essa escala é parte da história desde o princípio. Simon Taffe estava no Green Man Festival em 2005 quando percebeu que eventos menores ainda podiam oferecer algo que ele já não encontrava nos grandes festivais: intimidade, cuidado com detalhes e sensação de que a programação havia sido escolhida por alguém que realmente queria ouvir aquelas bandas. Apesar de nunca ter produzido um show, decidiu criar seu próprio festival. Sofia Hagberg entrou no projeto e os dois começaram a convidar artistas, organizar o terreno e assumir riscos financeiros enormes. Taffe chegou a vender a casa. Em setembro de 2006, cerca de três mil pessoas foram a Larmer Tree Gardens para ver Richard Hawley, Ryan Adams, Guillemots, Josh Ritter, Badly Drawn Boy e um programa que tinha mais aparência de seleção pessoal do que de produto calculado.
End of the Road tornou-se profissional sem abandonar essa lógica. Hoje recebe aproximadamente quatorze mil pessoas, mas continua a tratar artistas pouco conhecidos como parte essencial da proposta. Bon Iver apareceu numa fase ainda inicial de crescimento; Alabama Shakes foi procurado cedo. Em 2007, Sufjan Stevens recebeu uma carta escrita à mão explicando por que um festival íntimo em jardins vitorianos, com pavões e papagaios circulando livremente, parecia perfeito para ele. Só aceitou oito anos depois, quando finalmente virou headliner. Joanna Newsom, Fleet Foxes, Patti Smith, St. Vincent, Vampire Weekend, Big Thief, Angel Olsen e Father John Misty também passaram pelo festival. Mesmo assim, muitos frequentadores chegam falando mais sobre quem pretendem descobrir do que apenas sobre quem já conhecem. O subcard funciona como promessa: algumas das bandas que hoje ocupam grandes palcos começaram ali diante de públicos muito menores, e essa memória incentiva as pessoas a aparecer cedo para nomes desconhecidos.
O terreno transforma essa atitude em algo fácil de praticar. Woods é o maior palco, localizado na parte baixa de uma inclinação gramada; Garden está mais integrado à vegetação; Big Top oferece cobertura; The Folly e The Boat trabalham com espaços menores e mais próximos. Entre eles há apresentações surpresa, sessões acústicas e um piano dentro da mata. Como as distâncias são relativamente curtas, trocar de plano não custa meia hora de caminhada. O camping também fica suficientemente perto para permitir uma volta rápida até a barraca, especialmente útil quando o clima muda. A edição de 2025 mostrou o lado menos delicado do cenário. Chuvas fortes e barro acompanharam boa parte do fim de semana, enquanto Sharon Van Etten & The Attachment Theory, Caribou, Self Esteem, Father John Misty, Squid, Viagra Boys e muitos outros continuaram tocando. Larmer Tree Gardens é bonito debaixo de sol; End of the Road aprendeu há muito tempo que também precisa funcionar coberto de capas de chuva.
A música divide espaço com um programa que poderia ocupar um fim de semana sozinho: cinema, literatura, comédia, oficinas, Healing Gardens, jogos, arte e uma biblioteca escondida na floresta. Esses elementos não ficam isolados numa área distante; aparecem ao longo dos mesmos caminhos usados para chegar aos shows. Esculturas, criaturas desenhadas, luzes e instalações fazem o jardim parecer temporariamente habitado por uma narrativa própria. O festival também manteve distância da estética de publicidade excessiva comum em grandes eventos. Atualmente não existem setores VIP que ofereçam acesso diferenciado dentro do recinto. A consequência é uma atmosfera relativamente horizontal, onde músicos também aparecem assistindo a outros músicos. Muitos artistas desenvolveram carinho pelo festival justamente porque podem permanecer ali por mais tempo, e não apenas chegar para tocar e sair. O público percebe isso. A fronteira profissional continua existindo, mas é menos dominante do que em eventos muito maiores.
A vigésima edição acontece de 3 a 6 de setembro de 2026 e, portanto, está em andamento neste momento. Pulp, Mac DeMarco e CMAT ocupam posições centrais, com Pulp fazendo sua única apresentação em festival britânico no ano. Geese e Super Furry Animals mostram duas gerações diferentes de rock inquieto. Mais abaixo, a seleção é novamente o que melhor define End of the Road: Beverly Glenn-Copeland e Elizabeth Copeland, Ty Segall, Lucinda Williams, Kurt Vile, Derya Yıldırım & Grup Şimşek, Earl Sweatshirt & MIKE, Kelly Lee Owens e Anna von Hausswolff permitem atravessar folk, rock, hip hop experimental, eletrônica e psicodelia sem que a mudança pareça uma busca artificial por diversidade. O festival começou muito associado a folk, Americana e indie, mas foi ampliando seu vocabulário sem perder a lógica de escolher artistas pela personalidade e não apenas pela categoria.
Chegar a vinte edições sem transformar End of the Road numa operação muito maior talvez seja seu maior feito estrutural. O crescimento excessivo exigiria ampliar distâncias, separar mais áreas e substituir parte da informalidade por infraestrutura que mudaria o próprio comportamento do público. O nome surgiu porque o festival acontecia perto do fim da temporada britânica de verão. Hoje ele também descreve um estado de espírito: passar o último grande fim de semana da estação num jardim onde há nomes familiares suficientes para orientar o caminho e desconhecidos suficientes para tornar qualquer desvio interessante. Depois do domingo, as estruturas desaparecem e Larmer Tree Gardens volta ao ritmo normal. Os pavões continuam andando pelos gramados. Durante quatro dias, a diferença é que há milhares de pessoas tentando descobrir para onde aquele próximo caminho pode levar.
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