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2027Hoofbeat Country Fest 2027
Números, sede e manias da casa
Em julho, a estrada que atravessa Cadott deixa silos de milho e tráfego leve do Wisconsin para se abrir num prado que parece interminável: hectares de feno cortado, lonas coloridas e fumo de churrasco a flutuar sobre um vale onde a country não soa como formato de rádio mas como modo de vida de vários dias. Hoofbeat ocupa esse terreno com a escala de quem passou décadas a aprender a acolher multidões sem perder o tom campestre. O recinto — Chippewa Valley Festival Grounds — não é um parque urbano reconvertido: é um hayfield rural onde o palco principal partilha horizonte com quintas vizinhas e acampar não é um extra opcional mas o núcleo da experiência.
A história começa em 1987, quando Duane Crank, Mike Asher, Lyle Goettl e Ronnie Hager lançam Country Fest convencidos de que o Midwest americano precisava de um ponto de encontro próprio para country a sério. Quatro nomes locais, pouco glamour corporativo e muita fé de que a gente conduziria até Chippewa County se o cartaz e o campismo valessem a viagem. Chippewa Valley Music Festivals nasce como guarda-chuva dessa ambição e, com o tempo, prova que um hayfield pode sustentar gerações de participantes que regressam com reboques, tendas e rotinas familiares aperfeiçoadas ano após ano.
Durante quase quatro décadas o festival opera como Country Fest, acumulando reputação como cita country de referência na região dos Grandes Lagos. A identidade musical constrói-se em torno da country em sentido amplo: desde clássicos honky-tonk e outlaw até country pop contemporâneo, com espaço para artistas que tratam o género como narrativa americana em vez de uniforme de estádio. Não é um show de uma noite na cidade: três dias consecutivos em que o público vive dentro do recinto, acorda ao cheiro a café de fogueira e termina a noite a ouvir acordes que ressoam sobre pradaria aberta.
A mudança de nome para Hoofbeat em 2024 não apaga essa herança; reinterpreta-a. Wade Asher — figura central na promoção actual do complexo — impulsiona um rebrand que procura reflectir público e cartaz em evolução sem trair raízes de campismo. «Hoofbeat» evoca o pulso do cavalo e do campo, metáfora que encaixa Cadott melhor que qualquer slogan urbano. Para quem assistiu na era Country Fest, o terreno continua igual; para quem chega com nome novo, o sinal é claro: country de raiz, escala massiva, espírito comunitário.
A logística do campismo define a personalidade do festival tanto como a programação. O complexo oferece mais de sete mil quinhentas parcelas — cifra que transforma o hayfield em cidade temporária — com zonas preenchidas por gerações inteiras que instalam casa móvel durante o fim de semana. Famílias que repetem o mesmo canto do prado há vinte anos, grupos de amigos que transformam a parcela em pátio social, caravanas que chegam de Minnesota, Illinois ou mais longe. O campismo não compete com os concertos: prolonga-os. Entre actuações, o recinto respira conversas em cadeiras dobráveis, jogos informais e cozinhas portáteis que alimentam dezenas de vizinhos de tenda.
Chippewa Valley Music Festivals gere Hoofbeat dentro de um ecossistema mais amplo no mesmo solo: Rock Fest e outros eventos partilham infra-estrutura, caminhos de terra e know-how acumulado sobre água, electricidade e segurança de multidões rurais. Essa continuidade organizativa explica por que Cadott absorve dezenas de milhares de visitantes sem colapsar: o hayfield já aprendeu a escalar. Wade Asher e a equipa herdam décadas de experiência dos fundadores e traduzem-na em formatos que ainda falam ao coração do Midwest.
A experiência do participante mistura concertos no palco principal com vida social do campismo. Três dias permitem profundidade no cartaz sem a pressa de um festival urbano de um dia. A country ouve-se de pé diante da PA mas também sentado na cadeira de campismo na parcela, com o rádio do vizinho a filtrar o mesmo repertório da colina ao lado. A paisagem do Wisconsin — céus amplos, pores de sol tardios no verão, humidade ocasional que lembra que o prado é real — modifica a percepção do som: menos eco de estádio, mais reunião ao ar livre entre gente que partilha linguagem musical.
Os artistas que cruzaram o palco ilustram a ambição do cartaz sem transformar o relato em lista. Hoofbeat e o predecessor Country Fest acolheram gerações de estrelas country e figuras que cruzam para pop americano, sempre com o critério de que o público do hayfield valoriza autenticidade vocal e ligação à tradição do género. Cabeças de cartaz de arena e talentos emergentes partilham a mesma pradaria; a escala do recinto permite ambos sem que um eclipse completamente o outro. Para a indústria, Cadott prova que o modelo festival country com campismo permanece viável longe de Nashville ou Texas.
Hoofbeat demonstra que um hayfield do Wisconsin pode ser templo country durante um fim de semana inteiro sem renunciar ao carácter rural. Entre Duane Crank, Mike Asher, Lyle Goettl e Ronnie Hager — que plantaram a semente em 1987 — e a era actual sob Chippewa Valley Music Festivals, o arco é continuidade mais que rutura. Milhares de parcelas, três dias de música e um rebrand que nomeia o pulso do campo: assim se entende por que gerações regressam a Cadott quando o verão pede guitarras, churrasco e o som de um hoofbeat distante sob as estrelas.
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