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#698
HOUSE - TECHNO
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Quando
15–16 DE MAI DE 2027
Onde
Oostzaan
País
Países Bajos
Artistas em destaque
Lineup a caminho — publicamos assim que for confirmado.
Faltam
2 edições para explorar · futuro, live e passado
2027Lente Kabinet Festival 2027
2023Lente Kabinet Festival 2023
Números, sede e manias da casa
Lentekabinet é um festival de house e techno em Amesterdão-Norte. A primeira edição foi a 2 de junho de 2012 no Noorderpark, junto ao Buikslotermeerplein. Organizáram-no Thomas Martojo e Casper Tielrooij. Os mesmos fundadores montaram depois o Dekmantel Festival, o encontro de verão de maior escala. Este texto trata do Lentekabinet, a festa de primavera, mais pequena e com bilhetes limitados. Não é o festival grande de agosto. É um dia — e mais tarde um fim de semana — de eletrónica num parque a norte do IJ.
Antes de sair ao ar livre, o nome Kabinet já tinha funcionado duas vezes no Studio/K. Em 2012 o selo Dekmantel fazia cinco anos e levou essa primeira primavera ao Noorderpark. O horário foi das treze às vinte e três. O bilhete custava vinte e cinco euros. O tecto anunciado era mil e quinhentas pessoas. O parque novo ficava a um salto da Centraal Station, mas do outro lado da água: Amesterdão-Norte, não o centro dos bares. Quem atravessava o IJ encontrava um parque recente, não um recinto de palcos permanentes.
O cartaz de 2012 fixa a música sem floreado: Joy Orbison, Ben UFO, Kyle Hall, Space Dimension Controller, Norman Nodge, Vakula, Ryan Elliott, San Proper, Cinnaman, Dekmantel Soundsystem e Mark du Mosch. É house e techno de clube, não um cartaz de êxitos de rádio. San Proper tocou ao vivo. A maior parte dos outros passou discos. Junto da música havia arte e cultura como parte do dia, não como adorno: exposições do Eddie the Eagle Museum, peças de Raymond Lemstra, Wayne Horse e Steven de Peven, e a Radio Romantiek a entrevistar visitantes e convidados. O programa cabia num dia e num parque urbano.
Em 2013 o encontro mudou-se para Het Twiske, um parque natural em Oostzaan, a norte de Amesterdão, e ficou lá. O Twiske não é uma praça. É uma paisagem húmida, com água, caminhos e árvores, fora da cidade. A segunda edição anunciou-se a 1 de junho, outra vez para abrir a época ao ar livre. A mudança de sede não mudou o nome nem os fundadores. Mudou o chão: de um parque de bairro recém-aberto para uma reserva onde o público se reparte entre clareiras e margens. Os bilhetes continuaram limitados.
Mais tarde o formato passou de um dia a um weekender de dois dias, muitas vezes no fim de semana de Pentecostes. A lotação não se abriu a uma multidão de cidade. O ponto era manter um número baixo para o parque não virar um recinto de massa. Sai-se de Amesterdão para norte, deixa-se a cidade, entra-se numa área protegida. Não há uma rua de after à porta. Há um parque, um dia ou dois de dança, e o regresso ao comboio ou ao carro quando o programa acaba.
A experiência deduz-se do formato. De tarde caminha-se entre palcos ao ar livre, sobre relva que pode estar húmida mesmo sem chuva. De noite faz falta outra camada e menos distância entre as colunas. Um junho holandês pode ser suave ou um vento que corta junto à água. Quem vai ao Twiske não encontra o recinto compacto do Noorderpark. Encontra mais metros, mais água e a sensação de estar fora da cidade embora Amesterdão fique perto. O bilhete limitado nota-se nas filas e no espaço entre os corpos.
Não se deve misturar este encontro com o Dekmantel Festival. Martojo e Tielrooij estão nos dois. O selo Dekmantel está nos dois. O calendário e a escala não. Lentekabinet é a data de primavera, primeiro de um dia e depois de um fim de semana, com tecto fechado. O Dekmantel Festival é o outro evento, o de verão, maior. Tratá-los como o mesmo cartaz noutro mês é um erro de nome. Aqui o parque é o Twiske — ou, em 2012, o Noorderpark — e a música é house e techno de pista, não um anexo.
O público que cabe em mil e quinhentas pessoas, ou num weekender ainda contido, não é o de um estádio. É um público que vem passar discos e ouvi-los, com espaço para ver uma exposição entre sets. As crónicas da primeira primavera sublinham esse tecto e o preço baixo como condições de uma festa íntima, não como troféu. Contar essa primeira primavera com cuidado não é desculpar-se pela escala. É dizer que Amesterdão-Norte e, depois, Oostzaan tiveram um dia de clube ao ar livre sem copiar um recinto de festival de massa.
Lentekabinet lê-se melhor como a festa de primavera de Martojo e Tielrooij, não como a versão pequena do outro festival deles. O house e o techno cabem nessa frase. Também cabem o Noorderpark de 2012, o Twiske desde 2013 e o tecto de bilhetes. O campo de agosto é outro recinto e outro mês. Aqui o chão é reserva húmida ou parque de bairro, e o relógio é de junho ou de Pentecostes. Fica um encontro que aprendeu a durar dois dias sem deixar de ser, de todo, uma festa de primavera com lotação curta.
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