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2 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Locus Festival é um festival de jazz, soul e funk em Locorotondo, no Vale d’Itria da Puglia, Itália. A primeira edição foi em 2005. Idealizou-o e produziu-o a Bass Culture Srl, com direção artística de Gianni Buttiglione, em colaboração com o Município de Locorotondo. Não é o LOCUS, o encontro junglist do Reino Unido. Também não é um festival de outra região italiana com nome parecido. É a rassegna pugliese que nasceu na vila circular cujo nome latino, Locus Rotundus, explica o título e o vínculo com o território.
A Bass Culture formara-se em 2001 com Vincenzo Bellini, Gianni Buttiglione, Paolo Corrado Salato e Mimmo Pizzutilo. Quatro pessoas do meio musical local que queriam trabalhar a partir da Puglia, não partir. Em 2005 a Câmara pediu-lhes um festival que tirasse Locorotondo do vazio estival. Começaram no centro histórico, entre cummerse e praças, com jazz e black music como eixo. O nome remete à planta circular do casco. O logótipo retoma os trulli em círculos concêntricos. O chão não era um campismo desmontável: era a própria vila, com olivais e vale à vista. As primeiras edições foram duras de montar. O salto de atenção chegou quando Franco Battiato tocou em 2007. A partir daí o festival leu-se fora da província. O verão pugliese pesa: calor seco, sombra de oliveira e um público que se move entre o casco e a masseria sem perder o horário do palco. No centro histórico as cummerse e as praças obrigam a um percurso a pé; em Ferragnano o pátio de masseria concentra o volume entre muros de pedra.
Com os anos a fórmula abriu-se para além de Locorotondo sozinha. Houve noites em Bari, na costa adriática e noutros municípios puglieses, sempre com o núcleo de verão na vila branca do Vale d’Itria. A Masseria Ferragnano, às portas do município, passou a concentrar os concertos pagos entre oliveiras e pedra. No centro, a Piazza Aldo Moro acolheu encontros, cinema e sets gratuitos. O público mistura vizinhos, veraneantes de trulli e gente que chega de Bari ou Brindisi. Chega-se por estrada estreita ou pelas Ferrovie del Sud Est. Não se atravessa um campo de tendas como única porta. Desce-se à vila, caminha-se ou toma-se uma ligação curta até à masseria. De dia há luz dura de agosto e degustações locais. De noite o volume sobe junto às oliveiras, não contra um estádio de betão. As Ferrovie del Sud Est figuraram como vetor oficial em edições documentadas, com ligações para Locorotondo em noites de concerto.
O cartaz explica a identidade melhor do que um slogan. Passaram por Locorotondo Lauryn Hill, George Clinton, Seun Kuti com Egypt 80, Kings of Convenience, Paolo Nutini, Caparezza e, em ciclos posteriores, nomes de jazz contemporâneo e black music como Roy Ayers, Ezra Collective, Makaya McCraven, Sun Ra Arkestra ou Fatoumata Diawara. Não é uma lista para copiar um poster. É a prova de que o festival atravessa soul, funk e jazz sem recusar pop ou rock quando o programa o pede. O mesmo agosto pode juntar um set afrobeat e um headliner italiano de canção. O público move-se entre a masseria paga e a praça livre. Quem procura só um macrofestival de franquia erra de escala. Quem procura só um clube de jazz de sala erra de paisagem. Desde 2018 a Tormaresca, do grupo Antinori, aparece como partner oficial ligado à degustação de vinhos no entorno do festival.
Não se deve confundir este Locus com o LOCUS do circuito junglist britânico. Ali o nome aponta para uma bass culture de sound system no Reino Unido. Aqui Bass Culture é a sociedade de Locorotondo e o quadro é a Puglia. Também não é outra cidade do sul que use “locus” como palavra latina genérica. Se um cartaz mostra um warehouse britânico e diz LOCUS, não é este. Este tem Locorotondo, Masseria Ferragnano, o Vale d’Itria e 2005. O homónimo corta-se com o mapa e com o organizador. A produção da Bass Culture descreve a montagem como levantar e desmontar uma cidade pequena em poucos dias, com fornecedores locais estáveis desde o arranque.
Locus Festival lê-se como o festival de jazz, soul e funk que a Bass Culture montou em 2005 em Locorotondo e que depois alargou pela Puglia sem largar a vila circular. O território não é decoração: explica por que o público caminha entre trulli e oliveiras. O jazz e a black music não são ornamento de verão: são o fio desde as primeiras edições. Bastam o nome latino da vila, a masseria e a Bass Culture Srl para o separar de qualquer LOCUS britânico. O trajeto desde Bari ou da estação corta a confusão. O chão de agosto, a praça livre e o concerto entre oliveiras fixam a escala. Assim se lê o festival: Puglia, 2005, e uma vila redonda que emprestou o nome.
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