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10 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
Longitude é um festival de hip hop, pop e indie no Marlay Park, em Dublin, Irlanda. A primeira edição foi de 19 a 21 de julho de 2013. Organizou-o a MCD Productions. O recinto fica em Dún Laoghaire–Rathdown, perto de Rathfarnham, com as montanhas de Dublin atrás das árvores. O parque já tinha recebido grandes concertos, mas naquele julho a MCD montou ali pela primeira vez um festival de vários dias, com palco principal no prado e palcos menores entre os bosques. Phoenix fechou a sexta. Vampire Weekend ficou com o sábado. Kraftwerk tocou no domingo num set 3D que parou o resto do recinto: foram dadas óculos e nenhum outro ato correu ao mesmo tempo. A lotação diária andava pelas dez mil pessoas. The Irish Times descreveu uma onda de calor, protetor solar grátis e avisos para não deitar beatas no mato seco.
O projeto nasceu quando a equipa do Oxegen procurou uma data urbana mais perto da capital. Falaram-se Fairyhouse e Belvedere House, depois a MCD escolheu o Marlay Park. Zac Desmond, filho do fundador Denis Desmond, impulsionou aquele primeiro fim de semana. O cartaz de abertura era de bandas e cantautores: Foals, Jake Bugg, Kodaline, The Maccabees, Hot Chip e MØ partilharam o parque com as três cabeças. Havia seis palcos, entre eles o Main Stage, o Heineken Live Project, o Phantom Green, o Woodlands, a Red Bull Music Academy e The Dirty Old Town Speakeasy. As crianças eram bem-vindas e os menores de quatro anos entravam sem pagar. Autocarros shuttle saíam de Custom House Quay. Quem vivia em Dublin podia apanhar autocarro ou Luas para sul e acabar a pé. Não havia campismo: dormia-se em casa, no hotel ou em casa de alguém. Essa decisão urbana fixou o carácter melhor do que qualquer slogan. O festival cabia num fim de semana de cidade, não num acampamento a quilómetros do centro.
O som mudou em poucos verões. Em 2014 Ben Howard, Disclosure e Massive Attack encabeçaram, com Bastille, Bombay Bicycle Club, The 1975, Hozier, Rudimental e Sam Smith. Em 2015 Hozier, Alt-J e The Chemical Brothers fecharam as noites. Em 2016 Kendrick Lamar, Major Lazer e The National marcaram a primeira viragem clara para o rap e o pop de pista, com The Lumineers, Jamie xx, Chvrches e Diplo. Em 2017 Stormzy e The Weeknd ocuparam o Main Stage diante de cerca de trinta e cinco mil pessoas; Mumford & Sons fechou o domingo e Skepta, Mac Miller, Dua Lipa e Dave tocaram no mesmo fim de semana. Em 2018 J. Cole, Travis Scott e Solange lideraram um cartaz de hip hop e R&B com Migos, Post Malone, Tyler, the Creator, SZA e Anderson .Paak; Cardi B cancelou por gravidez. Em 2019 ela fechou o domingo, Stormzy substituiu Chance the Rapper no sábado e Ski Mask the Slump God cobriu o buraco de A$AP Rocky. Kneecap, Kojaque, Denise Chaila e Rejjie Snow levaram o rap irlandês aos palcos laterais. GoldenPlec, RTÉ e Buzz.ie passam a tratar o parque como sítio de hip hop e pop, não de guitarras.
A escala seguiu o cartaz. De cerca de 9.500 pessoas em 2013 passou-se a 21.000 em 2014 e 2015, 30.000 em 2016, 35.000 em 2017 e 40.000 em 2018 e 2019, tecto do parque. Em 2020 e 2021 o governo irlandês limitou ajuntamentos ao ar livre e a MCD cancelou as duas edições. O festival voltou em 2022 com Dave, Tyler, the Creator e A$AP Rocky no Main Stage, Central Cee e Kneecap noutros horários, e um palco SPIN House Party que puxava a tarde para a house. Em 2023 o formato encolheu para sábado e domingo: Calvin Harris e Travis Scott encabeçaram, com MK, Raye, Lil Uzi Vert e Metro Boomin. Em 2024 Central Cee e Doja Cat fecharam as noites ao lado de Becky Hill, 21 Savage, Sonny Fodera e Joel Corry. O hip hop e o pop de clube partilharam o mesmo relvado. O indie de 2013 não saiu da memória —Kodaline, Hozier e Villagers ainda marcam o arranque—, mas já não define o fim de semana.
Viver o Longitude é entrar num parque público vedado para o evento. Chega-se do centro de shuttle, de autocarro ou a pé a partir das paragens do sul. O prado principal concentra as cabeças de cartaz a partir de meados da tarde. Os palcos do bosque, nos primeiros anos, pediam caminhar entre árvores e perder de vista o Main Stage. Depois o Heineken Stage e o palco de house retiveram outra parte do público dentro da mesma cerca. O sol de julho pode ser forte; a chuva irlandesa também. Não há lama de campismo porque ninguém dorme no recinto, mas a relva pisa-se durante horas. Bares Heineken, Bacardi e Red Bull rodeiam os palcos. Barracas de comida ocupam os caminhos entre prado e bosque. A Longitude Lounge, com bilhete VIP, oferece um canto mais calmo. A Three Ireland emprestou power banks contra depósito. Os menores de dezasseis anos devem ir com um adulto. As filas de entrada, documentadas em 2017, levaram a MCD a pedir chegada cedo. De dia o recinto ainda se sente como um parque de verão com música; de noite o Main Stage segura dezenas de milhares de pessoas de pé, com as montanhas atrás das luzes.
O Marlay Park explica o festival. Longitude conta-se num parque do sul de Dublin que a MCD, a partir de 2013, transformou na data de julho em que as tardes indie deram lugar ao hip hop e ao pop que encheram a lotação. O shuttle desde Custom House Quay, os bosques usados como palco e o tecto de quarenta mil pessoas são factos de recinto, não adornos. A origem soa a Phoenix e Kraftwerk. O que o festival chegou a ser soa a Stormzy, Travis Scott, Cardi B e Central Cee no mesmo relvado, com o Luas e os autocarros da noite à espera quando a sono se apaga.
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