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2 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
PULS Open Air nasceu em 2016 como extensão de verão da PULS, plataforma jovem do Bayerischer Rundfunk, e desde o começo buscou ser algo mais específico do que simplesmente outro grande festival alemão. A ideia era levar para um ambiente ao ar livre o trabalho de descoberta musical desenvolvido pela emissora durante todo o ano: novos artistas, projetos começando a ultrapassar circuitos menores e alguns nomes internacionais com força suficiente para atrair um público mais amplo. Schloss Kaltenberg, localizado entre Munique, Augsburg e Landsberg, ofereceu imediatamente uma identidade visual própria. O castelo, conhecido por seus torneios medievais, se transformava durante alguns dias em um campus de música contemporânea com palcos, camping e programação noturna.
A primeira edição reuniu mais de sete mil pessoas e esgotou ingressos com Milky Chance, Crystal Fighters, MØ, BOY, Aurora, OK KID, Kakkmaddafakka, Frittenbude, Roosevelt, Maeckes e Schlachthofbronx. Aquela estreia já definiu grande parte da linguagem posterior: indie, pop alternativo, eletrônica e rap alemão podiam dividir o mesmo fim de semana sem separações rígidas. PULS utilizava sua proximidade com novas cenas para colocar artistas ainda em crescimento ao lado de nomes de projeção internacional. Em vez de construir toda a experiência apenas ao redor de headliners, o festival incentivava chegar cedo, circular pelos palcos e descobrir músicos que poucos anos depois poderiam aparecer em posições muito maiores nos cartazes.
Com o desenvolvimento do evento, a ideia de comunidade ganhou quase tanta importância quanto a música. Camping, aftershows, áreas de descanso, atividades participativas e conteúdos ligados ao universo PULS ampliavam o fim de semana para além dos shows. Em 2019, AnnenMayKantereit, Bosse, Giant Rooks, Leoniden, Alli Neumann, KitschKrieg, BHZ e Christian Löffler mostravam como indie alemão, rap, eletrônica e pop contemporâneo podiam coexistir de maneira natural. A escala continuava relativamente compacta em comparação com gigantes alemães, o que ajudava a preservar uma atmosfera de proximidade mesmo depois que público e produção haviam crescido bastante em relação à estreia.
A pandemia interrompeu essa sequência depois de quatro verões consecutivos. Em 2020 não houve festival físico e PULS respondeu com programação digital transmitida a partir de Kaltenberg, incluindo várias horas dedicadas à música eletrônica e à cena de clubes da Baviera. O retorno presencial de 2022 teve um desfecho particularmente complicado: depois do início do evento, o restante da programação precisou ser cancelado porque a empresa contratada não conseguia fornecer o número necessário de profissionais de segurança. A experiência provocou uma reorganização profunda. Em 2023, Schloss Kaltenberg passou a organizar diretamente o festival, ampliando o terreno e revendo infraestrutura, sustentabilidade e espaços de participação.
A fase final refletiu um festival cada vez mais conectado com a geração musical formada entre plataformas digitais, pequenos clubes e a nova cultura pop alemã. Em 2024, Giant Rooks, Badmómzjay, Zoe Wees, Paula Hartmann, Schmyt, Blond, Mayberg, Fatoni, Dilla, Badchieff, Bibiza, Ikkimel, Berq e muitos artistas emergentes construíram uma programação onde indie, rap e pop encontravam eletrônica e propostas experimentais. Podcasts, conteúdos da ARD, workshops, yoga, discussões e projetos participativos dividiam o terreno com os palcos. Dessa maneira, PULS Open Air havia se tornado uma expressão física do universo editorial da PULS e não apenas um festival associado ao nome de uma emissora.
A edição de junho de 2024 acabou sendo a última. Em setembro de 2025, PULS confirmou oficialmente que o Open Air de Schloss Kaltenberg não retornaria, explicando que sua estratégia cultural passaria a privilegiar eventos menores, mais acessíveis e distribuídos por diferentes regiões da Baviera. A decisão encerrou uma história relativamente curta, mas muito bem definida. PULS Open Air nunca precisou ser o maior festival da Alemanha; sua função era aproximar novas vozes de públicos maiores e oferecer uma etapa de crescimento para artistas emergentes. Durante vários verões, Schloss Kaltenberg deu a essa missão uma casa imediatamente reconhecível e acompanhou uma geração que estava redefinindo as relações entre indie, pop, rap e música eletrônica.
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Se você curte PULS Open Air, estes têm um line-up parecido.