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3 edições para explorar · futuro, live e passado
Números, sede e manias da casa
SunFest é o festival do cais do centro de West Palm Beach, junto ao Intracoastal. Fundaram-no em 1982. Em 2019 foram quatro dias, uns 130.000, três palcos, lama, botas de chuva e protetor. O lavabo portátil custava 8 dólares. Os de graça estavam às escuras. Um bar flutuante tinha uma fila de cerca de mil pessoas. A lama levava os chinelos. Não há um nome de empresa. Em 2018 caiu a quarta-feira e abriu um dia mais tarde do que outras vezes. As fotos desse fim de semana são de Michelle Eve Sandberg.
No sábado de 2019, antes da chuva, Ludacris saiu às 15:00 com Welcome to Atlanta e Number One Spot. No set ficam Area Code, Pimpin' All Over the World, Act a Fool, e as colaborações Money Maker, Yeah! e Glamorous. Pediu um grito aos asiáticos, aos latinos e aos negros, e quase ninguém respondeu. Riu-se e disse que tinha vendido mais de 20 milhões de discos, e que fizessem barulho os brancos. O campo, queimado do sol e pelos trinta, explodiu. Anunciou que começaria a rodar Fast and Furious 9. Noutro palco, os B-52's. Cindy Wilson, fato azul brilhante e tupe, tocava uns bongos pequenos. Saíram Rock Lobster, Private Idaho, Roam, e um Love Shack misturado com o riff de Low Rider, dos War. Kate Pierson ia de lamé dourado, o cabelo vermelho igual aos lábios e à sombra, e a banda levava mais de 40 anos. Fred Schneider, com um apito de vara, disse que se o público não estivesse não havia público.
RetroRev saiu quando nos ecrãs já piscava a chuva. Quase ninguém. Cantava de ser fiel, da mulher, dos filhos. AfterMidNight também não encheu: desafinavam, e ia-se mais gente do que a que chegava. Des Rocs, o trio de Nova Iorque, esvaziou isso. Danny Rocco, que tinha sido advogado da Sony e no SunFest 2016 ia com os Secret Weapons, abriu o campo. Ficam Outta My Mind, Here's to the Darkness, Let Me Live/Let Me Die e SLO. Em Give Me The Night subiu ao bombo, levantou um prato e o baterista seguiu, e desceu de um salto. Wendy Rhodes deixa-o entre Paul Stanley, Billy Squire e Elvis. Ele disse: I'm Des Rocs, and I'm not fucking around. Os Papa Roach abriram com Last Resort, depois Help e Getting Away With Murder. Jacoby Shaddix meteu-se no público em Elevate e dedicou Traumatic aos selvagens do círculo.
Ao pôr do sol, Diplo teve o público maior do dia. Vinha da festa dos Billboard em Las Vegas. No ar ficaram La Macarena, dos Los Del Rio, Yeah! de Usher, Girlfriend na grafia Avril Levine, Take On Me, Hey Ya! e High Hopes. Como temas, Heads Will Roll, Crank That, Earthquake e Sicko Mode. Fechou com Get it Right. Fitas, fumo, fogo e três ecrãs: uma selva, portas sem fim, e uma mulher nua sentada num cogumelo. Havia um fato de dinossauro verde e amarelo, uma criança com um chifre de unicórnio, e gente descalça com purpurina. No fim faltavam os sapatos. No domingo 5 de maio, os Tears for Fears cancelaram por causa do tempo. Keith Urban escreveu que o aeroporto de Miami estava fechado, que iam num Uber como se o condutor o tivesse roubado, e que chegariam tarde. O texto diz que o tempo lhe fechou a entrada do avião no Palm Beach International. Chegou, tarde.
Angel Melendez andou 2018. A quinta-feira anterior ao texto de 7 de maio: Billy Idol, Girl Talk sem um título solto, e Logic, que encheu de secundário. Na sexta, Incubus nas lombas do anfiteatro, e Zedd com mais gente, chamas no palco. Um remix de (I've Had) The Time of My Life moveu mais do que o rock dos anos noventa. Meteu Bohemian Rhapsody, um drop no crescendo, e passou a Humble, de Kendrick Lamar. O sábado foi o dia fraco. Passado o Ford Stage, o Art District: murais pintados ali, malabarismos com pinos, balões. O último dia cheirava a cão molhado. Sublime with Rome e Third Eye Blind soaram ao mesmo tempo. No JetBlue, DNCE, com Joe Jonas, rock, funk e disco, e saudações a Britney, Kanye, as Spice Girls e Rod Stewart, sem um título solto. Depois um buraco até Pitbull, também sem título. DaFeauxNito pareceu-lhe piegas. Sonali, aborrecida. Malu Trevejo, 15 anos, cubana-americana, fez o set inteiro em playback. Na quarta-feira do texto de 4 de maio, Weezer no Ford Stage. Rivers Cuomo levava coroa e capa. Um W iluminado. Sem apresentação, Hash Pipe. Depois My Name Is Jonas, I Want You To e Pork and Beans. Feels Like Summer era o single novo: soa a julho e conta um ex que morreu. Beverly Hills, Island in the Sun, King of the World, Say It Ain't So e El Scorcho, de Pinkerton. Fecharam com Buddy Holly, e o público cantou mais alto do que ele. Ao lado, o Intracoastal.
One Republic não é OneRepublic. Avril Levine não é Avril Lavigne. Billy Squire não é Billy Squier. Yeah! está no set de Ludacris e, como sample de Usher, no de Diplo. Love Shack não é Low Rider: vão misturados. O avião que não entra em Palm Beach não é o aeroporto de Miami fechado. 8 dólares não é o lavabo às escuras. 130.000 é o fim de semana de 2019, não um dia. A quarta-feira que se eliminou em 2018 não é a quarta-feira dos Weezer. Sublime with Rome ao mesmo tempo que Third Eye Blind não é um só palco. Feels Like Summer não é um tema de julho do festival: julho é como soa. 1982 não é 2016, e 2016 não é o sábado de 2019 nem o 5 de maio. Tears for Fears não tocou. Get it Right sim, e os sapatos não apareceram.
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