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✓ 1 edições documentadas — 18 artistas participaram

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1 edições para explorar · futuro, live e passado

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Números, sede e manias da casa

Edições documentadas12023–2023
Anos de história38 anosdesde 1989
País habitualFrança

Sobre o festival

Au Pont du Rock nasceu em 1989 numa escala que ainda ajuda a explicar praticamente toda a sua identidade. Em Le Roc-Saint-André, pequeno município rural do Morbihan, um grupo de jovens decidiu organizar por conta própria os shows que raramente chegavam à região. A primeira edição reuniu Happy Drivers, Les Wampas, Dead Grégory’s, Fils de Novembre e Sendero diante de apenas algumas centenas de pessoas, seguindo a lógica direta de uma cena punk e rock sustentada mais por esforço coletivo que por infraestrutura profissional. Nos anos seguintes vieram Les Dogs, Les Garçons Bouchers, Les Satellites, Les Thugs, Dominic Sonic e Les Sheriff, enquanto Les Enfants du Roc’k também promovia concertos durante o resto do ano. Poucos quilômetros adiante, Malestroit desenvolvia paralelamente uma vida cultural através da Malestroit Art et Culture, com jazz, teatro, exposições, cinema e música ao vivo. As duas histórias acabaram se encontrando. Depois das primeiras edições em Le Roc-Saint-André, Au Pont du Rock mudou para Malestroit em 1995 e começou a se transformar de iniciativa de uma pequena cena local numa tradição cultural compartilhada pelo território.

A fusão das duas associações em 1999 criou Aux Arts Etc e deu ao festival a estrutura que continua sustentando sua identidade. O desenvolvimento não eliminou o caráter grassroots. Au Pont du Rock permaneceu associativo, preparado durante o ano por membros locais e multiplicado nos dias de festival por centenas de voluntários. Essa continuidade permitiu que a programação crescesse sem abandonar completamente a raiz rock. Miossec, Louise Attaque, Mass Hysteria, Linton Kwesi Johnson, Burning Heads, Ska-P, Alpha Blondy, The Stranglers, Hubert-Félix Thiéfaine, Goran Bregović, dEUS, Tricky, Bad Religion e Archive representam diferentes etapas de uma abertura para reggae, dub, chanson, eletrônica e músicas globais. Em 2006, o festival passou oficialmente para dois dias, aumentando o número de artistas e tornando o camping elemento ainda mais importante da experiência. A escala seguia muito menor que a dos gigantes franceses, e justamente por isso desenvolveu um equilíbrio particular: grande o suficiente para receber artistas internacionais, próximo o bastante para continuar parecendo uma enorme reunião realmente construída em Malestroit.

Com o tempo, a palavra “Rock” deixou de funcionar como limite musical rígido e passou a representar uma atitude. IAM, Vitalic, Birdy Nam Nam, Wax Tailor, Kavinsky, Chinese Man, Bigflo & Oli, The Bloody Beetroots, MHD, PLK, Georgio, Eddy de Pretto, The Blaze, Tiakola, Niska, Dinos, Leto, Kerchak e Gazo ampliaram o território para hip hop, rap e eletrônica. Reggae e dub permaneceram presentes através de Patrice, Horace Andy, Groundation, Danakil, Biga*Ranx, Tiken Jah Fakoly, Asian Dub Foundation e L’Entourloop. As guitarras nunca desapareceram: Les Wampas, Mass Hysteria, The Toy Dolls, Bad Religion, Triggerfinger, Peter Doherty, The Murder Capital, Osees e The Libertines continuaram representando diferentes gerações. A coerência passou a vir mais da energia ao vivo que de um gênero único. O público também se tornou intergeracional. Quem conheceu o festival com Les Thugs ou Ska-P pode voltar décadas depois e dividir o espaço com jovens atraídos por Gazo ou Zamdane, todos dentro do mesmo ambiente compacto, com camping próximo e uma cultura voluntária ainda muito presente.

A trajetória também enfrentou rupturas importantes. Em 2003, condições climáticas severas obrigaram a cancelar uma edição já preparada. Em 2020, a pandemia eliminou completamente o festival habitual; em 2021, a equipe preferiu organizar quatro noites de shows ao ar livre em vez de reconstruir imediatamente o formato tradicional sob fortes limitações. Em 2022 ocorreu um retorno de três dias com IAM, Eddy de Pretto, Zola, Balthazar, Bon Entendeur e Panda Dub, antes da volta posterior às duas jornadas. A crise mais recente surgiu depois de 2025. Aproximadamente 17.500 entradas deixaram o evento abaixo do ponto de equilíbrio, enquanto segurança, produção técnica, logística e cachês se tornavam mais caros. A edição seguinte ficou ameaçada. A resposta, porém, refletiu perfeitamente a história de Au Pont du Rock: campanha de doações, mobilização de parceiros e um festival solidário em novembro com Ko Ko Mo, Cachemire, Déportivo, Miossec e outros artistas. A reação mostrou que o evento havia se transformado em algo maior que uma série de shows; para Malestroit e a região, tornou-se parte real da vida cultural coletiva.

A 36ª edição, em 31 de julho e 1 de agosto de 2026, funcionou portanto como um teste decisivo. Gaëtan Roussel, John Butler, Morcheeba, Superbus, Oxmo Puccino, Georgio, Synapson, Les Wampas, L’Entourloop, The Silencers e The Inspector Cluzo lideraram um lineup mais concentrado, acompanhado por Cachemire, Sam Sauvage, Théa, Fragile, The Blue Butter Pot, Vonsharon e Child of Ayin. Entre catorze e quinze mil entradas foram registradas ao longo dos dois dias. O número ficou abaixo das maiores temporadas, mas permitiu que a associação confirmasse imediatamente que Au Pont du Rock terá nova edição em 2027. Num período em que muitos festivais independentes europeus estão desaparecendo por pressão econômica, essa continuidade possui peso especial. Au Pont du Rock não tenta sobreviver tornando-se gigantesco. Sua força continua em outra direção: uma associação nascida de dois grupos de amigos, centenas de voluntários que retornam todos os verões, uma pequena cidade bretã capaz de receber várias gerações de público e uma programação que muda constantemente sem perder completamente a independência, o ruído e a teimosia rock’n’roll que deram início à história em 1989.

Site oficial · www.aupontdurock.com

Redes

Géneros

ROCK

Ficha

Mês habitual
agosto
Duração típica
2 dias
Cidade habitual
Malestroit, Morbihan
Organizador
Association Aux Arts Etc
Primeira edição
1989

Linha do tempo

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