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59 K
Quando
21–25 DE ABR DE 2027
Onde
Cologne
País
Alemanha
Artistas em destaque
Lineup a caminho — publicamos assim que for confirmado.
Faltam
55 edições para explorar · futuro, live e passado
2026c/o pop Festival Cologne 2026
Números, sede e manias da casa
Alguns festivais tentam reunir uma cena dentro de um único terreno; c/o pop sempre precisou de uma cidade inteira para explicar sua identidade. Desde 2004, Köln não funciona apenas como sede, mas como parte essencial do próprio conceito. Clubs, teatros, bares, galerias, lojas, pátios e espaços temporários se transformam em pontos de uma rota na qual o próximo show pode estar a poucos minutos de caminhada e pertencer a um universo musical completamente diferente. Desde que grande parte da programação se concentrou em Ehrenfeld, essa relação ficou ainda mais evidente. Venloer Straße continua sendo uma avenida real do bairro, com comércio e moradores, mas durante alguns dias passa também a funcionar como corredor de cultura pop, cheio de filas diante dos clubs, performances inesperadas e público circulando constantemente.
A origem de c/o pop está diretamente ligada a um momento em que Köln parecia perder parte de sua identidade musical. Nos anos 1990, a cidade havia sido um dos grandes centros alemães de pop e indústria da música, impulsionada por labels, revistas, televisão musical, clubs e pela feira Popkomm. Quando Popkomm se mudou para Berlim no começo dos anos 2000, Norbert Oberhaus e Ralph Christoph responderam criando algo novo em vez de simplesmente reconstruir o evento que havia partido. A primeira edição, em 2004, durou impressionantes dezessete dias e foi financeiramente difícil, mas estabeleceu uma ideia muito mais duradoura: Köln poderia continuar relevante conectando sua infraestrutura cultural existente com novos artistas, profissionais da indústria e público curioso. O próprio nome, abreviação de “Cologne on pop”, transformava essa intenção em declaração.
Ao longo dos anos, a reputação do festival se construiu menos em torno de gigantescos headliners e mais pela capacidade de encontrar artistas antes de uma grande mudança de escala. Arcade Fire, AnnenMayKantereit, Moderat, Giant Rooks, Bilderbuch, Roosevelt, Warpaint, Metronomy, Mount Kimbie, The Whitest Boy Alive, Caribou, DJ Koze, Honey Dijon e muitos outros passaram por diferentes edições, às vezes ainda ocupando salas pequenas. Essa lógica permite que c/o pop atravesse indie, pop, eletrônica, hip hop, art rock e cenas difíceis de classificar sem precisar fingir que tudo pertence ao mesmo gênero. Uma das experiências mais típicas é entrar em um espaço apenas por curiosidade e sair convencido de que aquele artista provavelmente não poderá tocar em um lugar tão pequeno quando voltar à cidade.
A mudança para Ehrenfeld em 2019 reforçou muito essa lógica de bairro. Ao mesmo tempo, o festival deixou agosto e passou para abril, tornando-se uma das primeiras grandes datas do calendário musical alemão. Club Bahnhof Ehrenfeld e YUCA ganharam papel central junto de artheater, Helios37, Live Music Hall e uma rede variável de bares, lojas e espaços não convencionais. Paralelamente, c/o Ehrenfeld ampliou a parte aberta e comunitária através de shows gratuitos, mercados, DIY, dança, workshops, performances, podcasts e projetos locais. Assim, “pop” deixou ainda mais claro que não significa apenas canções populares: inclui moda, identidade, cultura queer, design, movimento, discussões sociais e diferentes formas de uma geração produzir e apresentar sua própria cultura.
O outro pilar é a c/o pop Convention. Enquanto o público circula entre shows durante a noite, profissionais de labels, management, booking, mídia, tecnologia e políticas culturais se encontram durante o dia para painéis, workshops e networking. Essa proximidade entre indústria e festival público existe desde o início e ajuda a explicar por que tantos artistas emergentes aparecem em c/o pop justamente em momentos decisivos de suas carreiras. O negócio da música e a cultura vivida pelo público não ficam completamente separados; durante alguns dias ocupam a mesma cidade e cada vez mais o mesmo bairro. O festival também assumiu uma posição explícita de diversidade, igualdade e inclusão, criando espaço para artistas queer, FLINTA*, BIPoC e outras comunidades ainda sub-representadas dentro da indústria musical.
A edição de 15 a 19 de abril de 2026 mostrou uma versão muito madura desse modelo. Mais de 120 atrações e atividades ocuparam mais de trinta palcos e espaços, com Levin Liam, LGoony, Ebow, Fuffifufzich, Lovehead, Antony Szmierek, Paula Engels, Lara Hulo, Ok Kid e uma longa lista de projetos ainda em crescimento. A abertura com Fuffifufzich no Schauspiel Köln voltou a levar parte do festival para fora de Ehrenfeld, enquanto os dias seguintes misturaram shows, conversas, performances, formatos queer e projetos intergeracionais. A próxima edição já está confirmada de 21 a 25 de abril de 2027. Mais de duas décadas depois de surgir como resposta à saída da Popkomm, c/o pop continua defendendo a mesma ideia: uma cidade não preserva sua importância musical apenas celebrando o que aconteceu no passado. Ela precisa continuar procurando quem e o que vem depois.
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