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2023Elektric Park Festival 2023
Números, sede e manias da casa
Em 2024, Elektric Park teve que mudar de estação para continuar existindo naquele ano. O festival era tradicionalmente associado ao final de agosto ou começo de setembro, mas os Jogos Olímpicos de Paris concentraram policiais, bombeiros e recursos de segurança em torno da capital. A data habitual deixou de ser viável e Chatou ofereceu 15 de junho como alternativa. O evento aceitou, reduziu dois dias para um e recebeu cerca de 10.000 pessoas. A situação resume bem uma característica que acompanha Elektric Park desde o início: ele cresce, recua e reorganiza stages sem abandonar facilmente a Île des Impressionnistes. Essa ilha no Sena, a oeste de Paris, é a verdadeira constante. Foi ali que Joachim Garraud realizou em 3 de julho de 2010 o primeiro Inox Park, inspirado pelas grandes festas eletrônicas diurnas que conhecera em Australia. Martin Solveig, Bob Sinclar e Eric Prydz estavam entre os artistas e aproximadamente 12.000 pessoas compareceram. Para uma estreia idealizada quase como encontro entre amigos, a escala já era de festival importante.
Ao longo da primeira metade dos anos 2010, Inox Park acompanhou a explosão da EDM europeia. Tiësto, Armin van Buuren, Axwell e outros nomes enormes passaram por Chatou, mas a organização não se limitou ao mainstage house. Novas áreas abriram espaço para techno, trance, psytrance e sons hard. Em 2017 o nome mudou para Elektric Park, sem criar um festival diferente. A localização permaneceu, Joachim Garraud continuou como referência e a história anterior passou a ser tratada como parte integral de EPK. A mudança ajudou a representar uma identidade mais ampla. Yellow, Red, Blue, Black e outras cores começaram a funcionar como territórios sonoros. Dependendo da edição, um visitante podia passar quase todo o dia entre hardstyle e hardcore sem acompanhar o house, enquanto outro circulava entre bass music, techno e uma mainstage mais melódica. O festival se transformou numa espécie de condomínio de cenas eletrônicas, ligadas menos por um gênero único do que por um mesmo público disposto a cruzar a ilha.
O décimo aniversário, em 2019, levou essa experiência para o próprio Sena com uma croisière eletrônica antes da chegada ao festival. Poucos meses depois, a pandemia interrompeu o ritmo anual. A organização ainda tentou preservar setembro de 2020, mas a limitação francesa a grandes aglomerações tornou impossível receber uma audiência normalmente muito superior a 5.000 pessoas. Em 2021, Elektric Park retornou pela primeira vez com dois dias. Em 2022 o formato chegou a cerca de 30.000 presenças e mais de oitenta artistas. Purple Disco Machine, Polo & Pan, Martin Solveig e Breakbot representavam house e disco; Sam Paganini e Lilly Palmer, techno; Sefa, Billx e Partyraiser, hard music; Andy C, Zomboy, Kanine e ATLiens, drum & bass e bass. Era difícil encontrar uma única sequência de artistas que resumisse o festival, e exatamente aí estava sua nova força. Cada stage podia desenvolver uma comunidade própria sem obrigar o restante da programação a seguir a mesma tendência.
Depois do formato reduzido de 2024, a edição de 30 de agosto de 2025 manteve apenas um dia, mas fez dessa limitação uma escolha estética. Joachim Garraud falou em diminuir o gigantismo e aproximar público e cabine. A stage 360 graus foi redesenhada, uma área escondida apareceu e Blue Stage voltou com importância renovada. Ran-D e Rebelion atraíam hardstyle; Hysta e Korsakoff, hardcore; Dirtyphonics, Flux Pavilion, Camo & Krooked e Reaper consolidavam bass music; Fatima Hajji e novos nomes franceses levavam techno para outro público. A transformação fica clara quando se compara esse lineup com 2010. House e EDM foram essenciais para construir Inox Park, mas uma geração posterior passou a considerar kicks mais duros, drum & bass, dubstep e techno rápido partes igualmente naturais de Elektric Park. O festival conseguiu envelhecer sem obrigar seus frequentadores mais novos a reproduzir o gosto de quem esteve nas primeiras edições.
A próxima edição está marcada para 5 e 6 de setembro de 2026 e, neste momento, ainda não aconteceu. O projeto volta a dois dias e estabelece uma colaboração inédita com Madame Loyal, conhecida por aproximar rave e parque de diversões através de atrações, circo, performances e cenografia imersiva. A programação oficial atual anuncia quatro stages e mais de sessenta artistas. Bob Sinclar e A-Trak oferecem uma ponte com a cultura house que acompanhou os primeiros anos; Petit Biscuit e Ascendant Vierge refletem uma produção francesa mais recente; Skream & Benga e Ivy Lab conectam o fim de semana à bass culture britânica; Billx, Miss K8 B2B Mad Dog e Phuture Noize B2B B-Front sustentam a vertente hard. Joachim Garraud aparecerá em B2B com Damien RK. O festival mudou de nome, alternou um e dois dias, atravessou pandemia, Jogos Olímpicos e várias gerações de música eletrônica. Quando tudo isso é desmontado, porém, o ponto de retorno continua igual: uma ilha de Chatou que passa quase o ano inteiro silenciosa e, por alguns dias, volta a funcionar como um enorme mapa de sons.
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