Ranking
#843
HOUSE - POP - TECHNO
Ranking
#843
Seguidores
41.2 K
1 edições para explorar · futuro, live e passado
2023Crossover Festival 2023
Números, sede e manias da casa
No Crossover, boa parte da música começa antes de alguém subir ao palco principal. Um banjo pode surgir atrás de uma barraca, um fiddle responder algumas parcelas adiante e três vozes tentar encontrar uma harmonia perto de uma mesa. Essa informalidade não é apenas decoração para criar atmosfera: é uma das razões de existir do festival. Desde 2017, Crossover procura preservar uma cultura musical na qual a distância entre artista e público pode ficar surpreendentemente pequena. Existem concertos profissionais, convidados internacionais e horários definidos, mas também workshops, open mic, Appalachian dance, jams improvisadas e noites ao redor do fogo em que músicos que chegaram sem se conhecer acabam tocando juntos.
O festival foi criado por Julie Cross e suas filhas Eleanor e Emily, músicas e frequentadoras de encontros de bluegrass e old-time havia mais de vinte anos. O desaparecimento de alguns festivais britânicos tradicionais deixou um vazio importante numa comunidade relativamente pequena, mas extremamente dedicada. Em vez de simplesmente aceitar essa perda, elas decidiram criar um novo evento. O nome quase se explicou sozinho: Cross é o sobrenome da família, enquanto “crossover” representava a intenção de aproximar bluegrass, old-time, country e Americana, tradições relacionadas que nem sempre dividiam exatamente os mesmos palcos. A primeira edição aconteceu em 2017 e já nasceu como experiência de fim de semana completo, não apenas como sequência de shows.
A primeira sede ajudou a criar uma personalidade muito particular. Clonter Opera Theatre, na zona rural de Cheshire perto de Congleton, parecia um lugar improvável para um festival repleto de banjos e fiddles. O venue havia crescido em torno de apresentações de ópera e possuía um teatro de aproximadamente quatrocentos lugares, cercado por áreas onde era possível acampar, realizar workshops e tocar informalmente. Durante alguns dias, mandolins, dobros, harmonias de bluegrass e old-time tunes ocupavam aquele ambiente. A combinação funcionava: os concertos principais podiam ter a qualidade de escuta de um teatro, mas bastava sair pela porta para encontrar um camping onde músicos profissionais e amadores se misturavam com pouca formalidade.
O booking também evita artificialidade. Crossover não procura grandes estrelas sem relação real com sua cena apenas para aumentar o tamanho do evento. Ron Block e Tony Furtado tocaram em 2019; Block, conhecido mundialmente pelo trabalho com Alison Krauss & Union Station, também ofereceu ensino instrumental. Molly Tuttle e Rachel Baiman participaram da história das primeiras edições, enquanto The Carrivick Sisters, Midnight Skyracer, The Often Herd, Flats & Sharps, Hot Rock Pilgrims e Dan Walsh representam a força do bluegrass britânico. Nesse ambiente, a maneira como alguém toca banjo, fiddle ou constrói uma harmonia vocal pode gerar mais interesse do que sua posição numa parada comercial.
A própria organização deixa os limites musicais bastante claros. Bluegrass, old-time e acoustic Americana têm prioridade, enquanto pop, rock, metal, punk, jazz e traditional English folk não fazem parte do foco. Americana, portanto, não é usada como uma categoria vaga para qualquer músico com violão. Essa precisão permite que os workshops estejam diretamente ligados ao que acontece depois no palco. Uma aula de dobro pode ajudar a entender uma performance algumas horas mais tarde; um workshop de fiddle pode continuar numa jam noturna; alguém pode observar uma técnica de um profissional e depois tentar reproduzi-la com outros participantes no camping.
A pandemia trouxe a primeira interrupção importante. Depois de 2017, 2018 e 2019, não houve edições completas em 2020 e 2021. Posteriormente, a própria equipe descreveu esse período como dois anos de “furlough”. Crossover finalmente voltou de 29 de abril a 2 de maio de 2022, novamente em Clonter, recuperando camping, concertos, workshops e sessões. Mas essa edição também encerrou a primeira fase geográfica. Em 2023, o festival mudou-se para Sherbrooke Scout Camp, em Calverton, Nottinghamshire, próximo a Sherwood Forest. O curioso contraste com um teatro de ópera desapareceu, mas o novo local ofereceu condições ainda melhores para camping, atividades ao ar livre e convivência.
Em Sherbrooke, Crossover parece cada vez mais um music camp onde existe também uma programação excelente de concertos. A manhã pode começar com banjo, fiddle, mandolin, dobro, guitar ou songwriting, continuar com Appalachian flatfooting e chegar aos shows da tarde. Há atividades infantis, open stage, open mic e espaços sem microfones para quem simplesmente quer tocar. O campfire funciona como verdadeiro ponto de encontro. O timetable continua importante, mas nunca contém toda a música que acontece no local. É comum que a experiência continue depois do último artista oficialmente programado.
Entre 1 e 4 de maio de 2026, Showman & Coole chegaram do Canadá, Mason Via e Hank, Pattie & The Current dos Estados Unidos, enquanto Flats & Sharps, The Often Herd, The Carrivick Sisters, Hot Rock Pilgrims, Taff Rapids, Good Guy Hank, Rip Roaring Success e outros completaram a programação. Workshops instrumentais, dança Appalachian, programação infantil e sessões abertas mantiveram o caráter participativo. A organização já recebe candidaturas de artistas para 2027, embora ainda não tenha publicado datas oficiais. Crossover permanece pequeno, independente e non-profit, e fala abertamente sobre o aumento de custos. Talvez por isso sua importância seja ainda mais clara: oferece um espaço onde ouvir um grande músico é valioso, mas tirar o próprio instrumento da barraca depois do show e tocar com alguém que acabou de conhecer pode ser a parte mais memorável de todo o fim de semana.
Géneros
HOUSE
POP
TECHNO
Linha do tempo
Um artista por ano, o de melhor ranking
Os que mais repetem nas edições desta franquia.