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Lindisfarne Festival é um encontro de indie, rock e folk em Beal Farm, no Northumberland, em Inglaterra. A primeira edição foi de 4 a 6 de setembro de 2015. Organizou-o Conleth Maenpaa, com a Nokomis e a Bor Events na produção. Do recinto vê-se Holy Island. Não é a banda Lindisfarne, o grupo de folk rock de Newcastle. Também não é a peregrinação à ilha de Lindisfarne. É um fim de semana de quinta, com a maré à vista e um cartaz de salas britânicas, para maiores de dezoito.
Maenpaa não vinha de uma carreira de festivais. As crónicas recordam um recrutamento: Londres, depois Gosforth, e nenhuma experiência prévia a montar um recinto de campo. Essa biografia curta explica o tom do primeiro ano. Não havia uma marca herdada. Havia uma quinta em Beal, uma ilha à vista e a decisão de pedir dezoito anos à porta. A Nokomis e a Bor Events cobriram a produção. O nome do encontro cita a paisagem que se vê, não o grupo que cantou Fog on the Tyne. Alan Hull não está nesse cartaz. Uma procissão até ao priorado não é essa margem.
O primeiro cartaz situa o ouvido. Reverend and The Makers trouxeram o peso indie de Sheffield: guitarra, refrão e um público que já os conhecia de rádios e salas. Craig Charles trouxe soul e funk de pista, o set de DJ que enche uma tenda quando o sol desce. DJ Yoda cortou e misturou com humor de clube. Smoove and Turrell trouxeram o rhythm and soul do nordeste. The Skints fecharam um troço ska e reggae de Londres. Não é uma lista para efeito. É a prova de que o indie, o rock e o folk daquele primeiro setembro cabiam ao lado de um set de dança, numa quinta, sem pedir orquestra nem recinto de cidade.
Beal Farm não é um pavilhão. É terra, sebes e uma linha de costa. Holy Island fica a leste, com a calçada que o mar tapa e destapa. Do recinto vê-se essa silhueta. Não se caminha até ao priorado com a pulseira. Ouve-se indie com a ilha atrás e dorme-se em tenda ou em carrinha na própria quinta. O formato é de fim de semana de campo, não de um dia de sala. Há lama se chover. Há vento do Mar do Norte. Há a hora em que a luz desce sobre a água e o volume da tenda parece mais perto. Setembro no Northumberland não é uma nota turística. É o clima que decide se o pasto aguenta.
A experiência infere-se desse plano. Chega-se pela A1 ou de comboio até Berwick e depois por estrada. Entra-se na quinta. Planta-se a tenda. Caminha-se entre palcos e bar. O público é adulto: a porta dos dezoito corta o piquenique de família. Quem vem de Newcastle ou de Edimburgo pode fazer a viagem na sexta e voltar no domingo. Quem vem de mais longe fica as três noites. Não há um cais de metro à saída do set. Há um campo escuro, um carro na lama e, se o céu estiver limpo, a massa da ilha. O folk acústico da tarde ouve-se diferente do rock quando a tenda enche. O mesmo recinto serve aos dois porque a quinta não pede um só volume.
Não se deve ler o Lindisfarne Festival como uma homenagem à banda. Lindisfarne, o grupo, nasceu no Tyne e levou o nome da ilha a discos e digressões. O festival nasceu em 2015 numa quinta que olha essa ilha. Partilham uma palavra. Não partilham fundador, recinto nem cartaz. Também não é o Holy Island pilgrimage: a gente que atravessa a calçada até ao priorado, à reserva e ao turismo de maré. Esse trânsito é de dia, de fé ou de visita. O festival é noite de tenda e maioridade. Confundi-los porque ambos olham a mesma pedra é um erro de mapa real: um está em Beal Farm, o outro na ilha quando o mar deixa passar.
Relatar 2015 não autoriza a afirmar uma continuidade posterior. As fontes fixam o primeiro fim de semana, o organizador, a produção e o cartaz. Não fixam um calendário eterno nem uma temporada em vigor. Dizer que Maenpaa chegou sem ofício de festival não é troça. É o dado que as crónicas usaram para explicar por que o encontro se sentiu novo: um nome de costa, uma quinta emprestada e um público a quem se pediu maioridade. A Nokomis e a Bor Events ficam na produção. Beal fica no chão.
Também não é um festival de cidade com vista de postal. Newcastle fica a sul. Berwick fica a norte. Beal é o ponto intermédio, rural, com a ilha como fundo. O indie e o rock de salas britânicas ouvem-se ali com outro ar: menos tijolo, mais vento. O folk cabe porque o Northumberland já tem ouvido para fiddle e canção. O set de Charles e o de Yoda recordam que o sábado de quinta também quer pista. Essa mistura é o carácter do primeiro ano, não um menu de géneros inventado depois.
Lindisfarne Festival lê-se como o fim de semana de 2015 que Maenpaa plantou em Beal Farm, com Holy Island à vista, não como a banda do Tyne nem como a peregrinação à ilha. Reverend and The Makers, Charles, Yoda, Smoove and Turrell e The Skints guardam o primeiro ouvido. A porta dos dezoito guarda o público. A Nokomis e a Bor Events guardam a produção. O chão é de relva. O mar decide a silhueta. O que fica escrito é um setembro de quinta no Northumberland que soou a indie, a rock e a folk, e que as fontes já situaram nessa margem, sem pedir que se atravesse a calçada.
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