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Laneway Festival 2027

Quando

12–21 DE FEV DE 2027

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Lineup a caminho — publicamos assim que for confirmado.

Faltam

135
Dias
03
Hrs
43
Min
38
Seg

Fan service

Números, sede e manias da casa

Edições documentadas172011–2027
Anos de história22 anosdesde 2005
País habitualAustrália

Sobre o festival

Caledonian Lane, atrás da Myer, não era um recinto. Era um beco de Melbourne: contentores, ratos, um bar que tinha sido loja de almôndegas suecas. A 27 de fevereiro de 2005 Jerome Borazio e Danny Rogers fecharam aquela rua, tiraram o lixo e montaram o St. Jerome's Laneway Festival: cerca de mil e quatrocentas pessoas, The Avalanches, Cut Copy, Architecture in Helsinki. Quem chega à procura do Landed — uma quinta de Powys, campismo, folk de colina — erra o hemisfério. Aqui o ouvido é indie, pop e rock, e o luxo é caber num lane.

O St. Jerome's nasceu em 2004 como um buraco para beber com amigos: barato, sem código de vestuário, um íman para quem não queria um clube de marca. Rogers voltou de Nova Iorque, onde tinha trabalhado como booker, e Borazio convenceu-o a fazer turnos. Em seis meses falavam de música. A Summer Series dos domingos — The Presets, Architecture in Helsinki, Clare Bowditch, Gersey — e uma residência dos Avalanches chamada Brains transformaram o quintal num ensaio. O festival não se desenhou num escritório de digressão. Transbordou do bar.

A 27 de fevereiro o lane já não cabia no quintal. Havia cartazes, restaurantes convencidos a vender comida pela porta de trás, um palco estreito ao fundo. Art of Fighting, Eskimo Joe, The Dears e Ground Components com Macromantics cabem na mesma tese: indie de Melbourne e de mais longe, pop que não pede estádio, rock de sala. Rogers disse que o Laneway nunca foi uma questão de headliners. A frase conta. O ouvido constrói-se pelo beco, não por um nome de capa que justifique o bilhete.

Quando o lane ficou pequeno, o formato viajou sem deixar de chamar-se lane. Sydney, Brisbane, Adelaide, Perth, Auckland, Singapura, um Detroit que chegou dois meses depois da falência da cidade, Footscray junto ao Maribyrnong: cada cidade emprestou um espaço que um promoter de estádio teria saltado. Rogers conta que as expansões as pediram locais que percebiam a tese. Borazio fala de mudar a percepção de um bairro. Conta-se como geografia, não como uma linha de anos. O contrato continua o mesmo: indie, pop e rock num sítio que não nasceu para dez mil.

A experiência segue-se do formato. Em 2005 chegava-se a pé ao CBD, apertava-se entre paredes, ouvia-se o indie a bater no tijolo. Mais tarde, num recinto de rio, caminha-se mais e o céu é mais largo, mas o ouvido não pede um campo galês. Não há campismo de colina. O after é a cidade: um elétrico, um bar, um ouvido que ainda leva o kick do beco. De dia o pop pede conversa. De noite o rock pede menos distância. Quem veio pelos Avalanches e quem descobriu os Cut Copy no mesmo lane partilha o mesmo aperto.

O Laneway não é o Landed. Essa correção não é uma nota de arquivo. O Landed é Doldowlod, Grubby Brown, um alpendre, folk e rock eletrónico para uns centos. O Laneway é um beco de Melbourne que se tornou um circuito de cidades, com um ouvido indie que não se desculpa por ter cabido entre caixotes. Misturá-los é o erro de quem só lê um nome de terra e assume um só mapa. O leitor que entra por Caledonian Lane merece o nome certo: St. Jerome's, um bar, um lane, não uma quinta.

Há uma contradição útil: o festival cresceu e, ao mesmo tempo, recusa dever a alma a um headliner. Quinze mil num recinto de Footscray não apagam as mil e quatrocentas do beco. O crescimento muda de bairro; não muda de tese. Quem trata o Laneway como sucursal de um circuito europeu erra a origem. A origem é um domingo, um quintal, e dois amigos que decidiram que o lane se podia fechar.

Depois de um set no lane não se saía para um prado. Voltava-se contra uma parede, e a banda a seguir já estava perto de mais para fingir um campo. Quem pára agora no que resta dessa ideia — um recinto urbano, um ouvido indie, um nome de santo de bar — percebe por que este festival não é um campo. Os contentores já não estão; o eco da guitarra no tijolo é a memória que os recintos de rio ainda devem. Entre 27 de fevereiro de 2005 e os Avalanches num palco estreito, entre Borazio e Rogers e as cidades que pediram o seu próprio lane, Melbourne teve um festival de pop e rock que não se deixa traduzir como sucursal de Powys. O beco empresta o eco; o St. Jerome's empresta o nome. Fica um lane que aprendeu a ser país sem deixar de ser beco.

Site oficial · www.lanewayfestival.com

Redes

Géneros

INDIE

POP

ROCK

Ficha

Mês habitual
fevereiro
Duração típica
1 dias
Cidade habitual
Brisbane, Queensland
Cidades distintas
6
Países visitados
2
Sequência mais longa
5 anos seguidos
Organizador
Jerome Borazio y Danny Rogers
Primeira edição
2005

Linha do tempo

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